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11 de nov. de 2016
2º conto #tambéméviolência
Na primeira vez, eles ainda namoravam, e ele disse:
- Nossa, amor, esse batom ta feio, ta muito puta, troca.
Ela trocou.
Quando já estavam casados, ele disse:
- Esse olho está muito preto, horrível; lava essa cara lá no banheiro.
Ela lavou.
Em uma ida ao cinema, ele disse.
- Você vai com essa saia? muito curta, coisa de puta.
Ela foi com a saia e ele não gostou, andava rápido, a saia subia e ela puxava para abaixar, mas não reclamou. Então ele disse:
- Eu te avisei. Saia curta não dá nem pra andar, se te perguntarem o valor do programa com que cara eu fico?
Ela ficou com vergonha e então, desconfortável.
Em outra dia de passear ele disse:
- Vai com esse vestido?? ele não esta apertado demais para o tamanho do seu corpo?
Ela desistiu de sair e ficou em casa chorando, Ele foi, lá ficou com outras mulheres; o casamento deles não era aberto.
Ela voltou a trabalhar porque ele, apesar de ganhar bem, não dava conta de pagar as noitadas que fazia sem ela e as contas da casa. Call Center, meio/período, pois tinha que ser esposa, dona de casa, mãe. Um dia ele disse:
- Para quê essa cara maquiada? ninguém vai te ver, mesmo.
Então ela disse.
- Porque eu gosto!
E saiu.
Foi sua primeira reação.
Ele mina sua auto confiança? Diz que você parece puta por causa de uma roupa ou batom?
Isso não é cuidado, isso é machismo! Isso #tambéméviolência @chegadeviolência
4 de nov. de 2016
1º conto #tambéméviolência
Um dia ele estava na padaria com os amigos, eu cheguei por trás dele, quietinha, ia dar um susto. Os amigos dele começaram uma "brincadeira", perguntando sobre as mulheres de onde ele trabalhava, e ele respondeu que eram gostosas, lindas, uma delicia e por aí vai.
Eu estava bem atras, ouvindo, e os amigos riam.
Eu fiquei sem graça, constrangida!
Quando os amigos perguntara, sobre mim, ele disse "ah, sei lá, deve estar por aí me procurando, combinamos de nos encontrar no parque, mas eu vim pra cá com vocês". O estouro de riso foi alto, irônico, era, também, para mim. Era, também, DE mim!!
Eu estava me sentindo mal, ridicularizada!
Ele olhou para trás, olhou pra mim; caiu na risada e me abraçou.
Eu ri contrariada.
Ele nunca se desculpou, ficou tudo na ideia de que era apenas brincadeira. Depois dessa, várias "brincadeiras" aconteceram.
A violência tinha começado, eu não tinha percebido.
Ele debocha de você??
Isso não é brincadeira. #tambéméviolência #chegadeviolência
Participe dessa campanha contra a violência!
conte sua historia. mande seu relato para mandapramariah@gmail.com, autorize a publicação, informe de deseja que seja anônima ou não.
2 de nov. de 2016
Voltando a ativa #chegadeviolência #tambéméviolência
Depois de um tempo quieto o blog Alma Nua volta a suas atividades.
Começando nessa sexta, 04/11, e até o final de dezembro, reabriremos os contos de sexta somente sobre mulheres com histórias reais, anonimas ou não, sobre violência contra mulher.
Usaremos a #chegadeviolênvia e #tambéméviolência, (essa usada recentemente, pelo instituto Artemis em uma campanha do mesmo teor).
Algumas forma de violência não ficam claras a principio, mas também são violência.
Quem quiser participar, com suas histórias pessoais, pode enviar e-mail para mandapramariah@gmail.com, informe no e-mail se quer ficar anonima ou não, os e-mails que vierem sem a informação serão publicados de forma anonima.
Ao mandar o e-mail, é necessário que autorizem a publicação e veiculação das histórias na internet, de forma clara e expressa.
Vamos contar nossas histórias e ajudar outras mulheres a se fortificarem!
Somos todas vencedoras!
#chegadeviolência
#tambéméviolência
#machismomata
Começando nessa sexta, 04/11, e até o final de dezembro, reabriremos os contos de sexta somente sobre mulheres com histórias reais, anonimas ou não, sobre violência contra mulher.
Usaremos a #chegadeviolênvia e #tambéméviolência, (essa usada recentemente, pelo instituto Artemis em uma campanha do mesmo teor).
Algumas forma de violência não ficam claras a principio, mas também são violência.
Quem quiser participar, com suas histórias pessoais, pode enviar e-mail para mandapramariah@gmail.com, informe no e-mail se quer ficar anonima ou não, os e-mails que vierem sem a informação serão publicados de forma anonima.
Ao mandar o e-mail, é necessário que autorizem a publicação e veiculação das histórias na internet, de forma clara e expressa.
Vamos contar nossas histórias e ajudar outras mulheres a se fortificarem!
Somos todas vencedoras!
#chegadeviolência
#tambéméviolência
#machismomata
15 de abr. de 2016
As Mulheres de Sexta - 5º conto
Maria
Era manhã de sexta-feira, quando Maria acordou. Tarde demais para quem começava a vida sempre as 5 horas, mas naquele dia ela tinha folga. E precisava de folga. Trabalhava todos os dias na casa dos outros, mal via os filhos pequenos, mal estava em casa a tempo de limpar, arrumar, fazer jantar para o marido e por os filhos na cama. Ela bem tentava ajudar na lição, mas não tinha mais que o fundamental, então não era de grande valia.
Ela passava, lavava, cozinhava pra fora para ajudar nas contas da casa. Embora seu marido lhe dissesse que ela não valia nada, pois mal sabia ler e escrever, ainda se alegrava em comprar uma boneca para a filha e um boné para o filho nas barracas de camelô.
Agora já tinha quase 40 anos, 37 recém completadas, mas o marido, assim como a família, já diziam que ela estava velha e se fosse considerar as dores que sentia, ela também se achava velha. o rosto não era mais liso e macio como antes, agora carregava marcas de sol; e os cabelos, levavam raízes brancas em boa parte do tempo; um contraste imenso com o preto da tinta desbotada, pois só pintava o cabelo 1 vez por mês e olhe lá.
Naquela sexta-feira de folga, a unica em que ela não trabalhava fora, tinha muito o que fazer dentro, e não só dentro de sua casa, mas dentro de seu ser. Sensação estranha era aquela que acordava com ela.
Às sextas, depois de levar as crianças na escola, voltava e dormia; e acordar era sempre bom, mas não naquela sexta. De todo modo ele não podia parar, e deu-se aos afazeres da casa. Coque alto com fios rebeldes em todos os cantos, ela passou a limpar e lavar.
Também às sextas, ela fazia macarrão, O marido adorava, embora sempre dissesse que ela já não sabia cozinhar, comia tudo. Mas a vida era assim mesmo,ela já sabia... Foi assim com sua mãe, e com sua vó e seria assim com a sua pequena filha, estava conformada.
O bairro era pobre, favela sempre é pobre. E ela foi buscar as crianças na escola olhando as ruas de terra... Ouviu um barulho ao longe e quando se deu conta, foi tarde demais.
A viatura vinha em alta velocidade, atingiu-a em cheio arremessando-a pelos ares muitos metros à frente. A viatura não parou, tinha um chamado mais urgente para atender. as pessoas se aglomeraram em volta dela, mas não havia mais tempo.
O jornal da noite mencionou que a viatura perseguia traficantes quando uma mulher se jogou na frente do carro, sendo socorrida e morrendo no hospital.
A historia não f
Ninguém disse o nome dela, nem que era mãe, nem trabalhadora, nem que era negra. Ninguém sabia que ela era uma cidadã.
Naquela sexta-feira de outono, Maria virara estatística.
8 de abr. de 2016
As Mulheres de Sexta - 4º conto
Fernanda.
Acordar estava ficando pesado naqueles dias. Era tanto para dizer, tanto para fazer, tanto para pensar, Enquanto ela se vestia pensava na quantidade de tempo e de vezes que viveu aquilo... E sempre superou, sempre conquistou, sempre esteve forte. Mas, tantas vezes, sentiu vontade de parar... Ah sim, seria bom ter alguém que fizesse algo por ela, só as vezes. Ela estava cansada,
Sempre fora a mais inteligente, a mais forte, a mais esperta e e mais rápida; e ironicamente a vida lhe obrigada a provar, o tempo todo, aquilo que era. O tempo todo, era mesmo tudo do seu tempo. Do acordar ao dormir, do trajeto para o trabalho até voltar, das facetas de ser mãe, de ser esposa, de ser mulher... até ser filha ela tinha que provar tantas vezes... que cansativo.
Mas havia um lado bom. Ela provara, em todas as vezes, que era capaz; que era merecedora. Podem falar sobre meritocracia. Para ela era um fato.
Acordou o filho para a escola, e deixou o marido dormindo, Era o de sempre com açúcar.
Fez seu trajeto costumeiro e chegou no escritório atrasada; já era parte de si. Só 15 minutos, nada demais, ela ficava tantas horas depois, que 15 minutos era quase uma piada,
Olhou em volta para o lugar conhecido de tanto tempo que quase desconhecia. Olhou as mesas vazias que eram dos amigos já idos. Empresa é assim, corte de custos e fim. Muita gente boa passou ali, Olhou as mulheres à sua volta, sabendo como era difícil se impor num ambiente tão masculino. Como era frágil a liderança feminina diante dos achismos machos dali. Impossível não pensar nas mulheres grandiosas com quem conviveu e de quem mal restara lembrança porque o mundo corporativo as engolia.
Simples e cruel era a vida nesse mundo.
Concentrou-se na sua função, e quantas eram as coisas a serem feitas. Ligou aquele botão automático que as mulheres possuem e passou a produzir dentro do seu contexto. O dia era longo, misturado a um café, uma risada, um almoço, mais pensamentos e constatações.
Já era noite alta quando se deu conta que tinha que sair. Chamaria o táxi mais uma vez, ao menos isso. Ainda tinha a parte de chegar em casa, jantar, lição do filho, respirar. As vezes respirar tinha que ser lembrado. E foi assim que se deu, até quanto já era bem tarde para ficar acordada.
Dormiu! Aquele sono de quem teve, mais uma vez, que provar seu valor; e sentiu mais uma vez esse cansaço antes de adormecer. Ela riu sozinha ao pensar que podia acordar com tudo diferente, um mundo mais justo, um vida mais tranquila.
Acordou e mal se lembrava de sue ultimo pensamento antes de adormecer, o tempo urge, a vida urge... Tudo de novo mais uma vez e estava pronta. No trem, em pé e cansada, ela suspirou. Sentiu o cansaço da semana, olhando as redes sociais, ela riu... Era sexta-feira, e nesse dia em algum lugar havia um pouco de afetividade!
18 de mar. de 2016
As Mulheres de Sexta - 3º conto
Lorem
Era sexta-feira, a primeira de suas férias, era natural que estivesse
preguiçosa. Ainda deitada tentou fazer uma agenda mental do seu dia. Queria aquele
dia de presente. O telefone no criado
mudo piscava o aviso de mensagem. Era só uma mensagem de bom dia. Mas a fez sorrir.
Levantou-se sem pressa.
Sentada a mesa, com a xícara de café quente, ela ainda
pensava em na mensagem, na verdade em quem a mandava. Relembrava seus traços, seu sorriso... Triste
historia aquela, triste como a sua. Triste como tantas outras acontecidas no
caminho. Mas a poesia não carrega certa tristeza que a fez bonita?
Algumas vezes ela se questionava sobre si mesmo, sobre valer
a pena, sobre escolhas...
Quando menina, apanhara uma vez, por ter beijado uma amiga
na escola, quando adolescente achou que estava doente e acabou por namorar um
menino, engravidou, abortou, sofreu triplamente, a dor de ser humilhada, excluída.
Foi violentada, pois lhe diziam que faltava homem. Ela
resistia. Ela era forte, tinha que ser. Lutava sozinha por muitos anos, e nem
sempre para ser aceita, mas muitas vezes para sobreviver.
Através dos anos foi uma batalha ser quem era; para vencer
nos campos que escolhera brigar. E ainda era. E sempre seria, mas valia a pena.
E valia a pena quando ela fechava os olhos e podia pensar no sorriso que lhe
derretia a alma gelada, quando pensava nos olhos que a faziam tremer dos pés a
cabeça quando a encaravam.
O mundo não estava perfeito e o caminho era longo. Mas ela não
estava mais sozinha.
Era sexta-feira ela poderia fazer o que quisesse, era manhã,
havia um dia inteiro pela frente, mas ela decidiu que naquela sexta-feira, era
hora de declarar-se. De novo, e de novo, e de novo. Esperou impaciente pelo fim
do dia, aprontou-se com cuidado, queria estar bonita.
Caminhou apressada para encontrar a parte que lhe faltava no
coração.
Abraçaram assim, na rua. As duas, cabelos ao vento,
olharam-se com carinho, beijaram-se, sorriram. A vida também existia ali.
Eu te amo – ela disse – faz amor comigo?!
4 de mar. de 2016
As mulheres de sexta - 2° conto
Lucia.
Era noite de sexta-feira
quando ela olhou o cinto de couro marrom esticado na porta do armário. Um frio
correu-lhe pela espinha, e uma imensidão de pensamentos passou por sua cabeça.
O Relógio batera 18 horas, o maldito relógio que lhe dizia
com batidas sonoras cada hora que passava. Ela andou silenciosa pela casa,
olhando os cantos, os quadros, as moveis. Conhecia tão bem aquela casa que se não
enxergasse andaria sem medo por cada cômodo, Alias, fazia isso regularmente,
caminhava em total silencio e no escuro.
Parou no meio do quarto, aquele cômodo era aterrorizante.
Era triste olhar para aquelas paredes, aquele piso, aqueles moveis...
O ar começava a deixar seus pulmões, estava nervosa. Sentia a
mãos suaves e o corpo tremer de leve. A cabeça lhe pesava. Por um instante viu
toda sua vida em flashs. Lembrou-se da infância pobre, mas feliz. Sua família sempre
fora de amor, seus pais estavam juntos há mais de 40 anos e sempre foram
apaixonados. Uma tristeza profunda a tomou.
Não tinha mais nada de seu, perdera o filho antes de nascer,
desistirá dos estudos, sairá do emprego, mal via a luz do sol... havia um misto
de tristeza e raiva que fazia cada pedaço do seu corpo doer.
Respirou fundo e pode sentir o cheiro do café recém-passado
e da janta feita.
Ouviu a maçaneta se mover e um terror lhe dominou, sabia que
havia chegado a hora. Queria correr, gritar... Mas permaneceu em silencio,
parada no meio do quarto, olhando a cama a sua frente e odiando as lembranças
que tinha dela.
Ouvia os passos pesados pela casa e a respiração forte. Ouviu
o barulho das panelas, o café ser servido e sorvido num gole só. Ouvia a geladeira
ser aberta e fechada e depois o silencio.
Seu corpo doía em cada poro. O silêncio era tão ou mais assustador
que a gritaria cotidiana. Ela sabia, sabia como seria. Ele a encontraria, a
chamaria de todos os nomes que julgasse justo, a humilharia, ela choraria, isso
afetaria muito mais a raiva dele, ele ia lhe bater, com força, com toda a força
que ele tinha, ela ia sangrar, ia cair, seria atirada na cama e estuprada. Era assim,
dia a dia, todo dia por semanas, meses, anos...
Ouviu o cinto ser puxado...
Ouviu a porta se abrindo...
Ouviu a respiração dele...
Ele se aproximou tal qual um animal, circulou, queria olhar
nos olhos dela.
Ela tremia dos pés a cabeça, e respirava apresada.
Ele encostou seu rosto ao dela, e ela estava apavorada, ele
sorriu e seu rosto se contorceu numa careta de dor.
Ela já não pensava, fincará a faca em sua barriga repetidas
vezes, não chorava, não falava, ele agarrou seu braço e deslizou por ele sem
forças para outro movimento que não fosse cair. Ela esperou que ele chegasse ao
chão, e num golpe quase de misericórdia, cravou a faca em seu peito.
Olhou pra ele uma ultima vez, saiu do quarto escuro e
sentou-se no sofá. Acendeu um cigarro, que era dele, tragou longamente. Era
chegada a hora. Ela pegou o telefone, discou o numero, deu seu endereço e pediu
que a viatura não demorasse. Deitou-se no sofá.
Estava livre! Acabara sua agonia. Ela era forte. Sentia a
liberdade entrar em seu corpo e adormeceu.
26 de fev. de 2016
As mulheres de sexta - 1º conto
Corina
Era verão, o calor fazia a pele grudar nas roupas, ainda que finas; mas seu coração lhe dava frio. Havia duvidas e medos, e assim como estava feliz, sentia-se em uma corda bamba. Não, já não era mais forte para aguentar os baques da vida. Ela queria apenas repousar, uma vez que fosse. Não estava entendendo qual era a graça da vida em zombar dela. Ela queria não sentir nada. O cérebro pensava, rápido como sempre, então ela estremeceu. Parecia que o fim havia começado, mas ela estava só no meio.
Os olhos lacrimejaram, e ela não saiu de onde estava; havia tanto pra fazer que não podia se dar ao luxo de chorar escondida. Nada podia, a não ser esperar que o acaso decidisse por ela. A alma retorcia-se dentro dela, gritava seu próximo passo. Ela hesitava. Secou os olhos, como pode. Olhou as palavras infinitas a sua frente e tentou junta-las. Um esforço suave de ver sentido no mundo. Naquele instante, não havia...
Ela queria poder não falar e deitar-se. Ficar entregue ao torpor de seu sono e não mais ter que falar, na verdade, por mais estranho que fosse ela não gostava de falar. Sentiu saudades da infância quando podia passar longos períodos sem pronunciar um único som. Aliás, os sons daqueles dias eram perturbadores, sufocantes.
Olhou em volta, sempre há olhares curiosos quando alguém chora. A fragilidade chama atenção mais que gritos. Aprumou-se na cadeira e escreveu uma longa carta, as palavras formavam frases, mas não tinham coerência; insistiu mesmo assim. Uma lágrima, teimosa, burlou a barreira de mãos que as impediam de cair, e atirou-se no papel borrando a tinta.
Finalizou seu escrito. Sob os olhares curiosos levantou-se devagar, foi até a janela, abriu! O vento forte, no 25° quinto andar, entrou como um furacão espalhando os papéis sobre a mesa. Ela respirou fundo, deixou o ar invadir e renovar seus pulmões. Nem sequer olhou os colegas de trabalho.
Atirou-se! Era hora de parar!
12 de fev. de 2016
...
Tenho muitos amores.
Tantos que não cabem em mim.
Amores que me levam pela vida
Amores que a vida me leva...
Tenho amores que são leves
Como balões.
E outros que me pesam.
Tenho outros sem padrões.
Ainda assim, amores. Ainda assim, meus.
Ainda assim, eu!
Toda feita e refeita de amor.
Na receita, muitas
colheres de dor.
Na mesma eu,
Muitas partes de um amargo sabor.
Tomam formas de
balões coloridos.
E eu caminho!
11 de dez. de 2015
Me dá um cigarro.
Texto - postagem coletiva dos Escritores da Era do Compartilhamento.
Tema "Me dá um cigarro"
Demais links no final da postagem.
(Imagem by Google)
O som da chuva, lá fora, é como música. Eu me movo, silenciosamente, pela pequena cozinha do loft; café quente nas mãos, sentimento ardente no coração.
Eu posso vê-la deitada na cama, dormindo profundamente. A pele brilha sob o luz do abajour.
Já não conto as horas quando ela esta comigo; já não penso no trabalho, nem nos afazeres, pois ela logo vai embora. Ela sempre vem como uma deusa e vai como névoa pela manhã.
Engraçado olhar para ela ali... não sei ao certo como começamos. Um acaso no metro, e agora ela esta ali, tão perto de mim.
Me assalta o medo quando ouço passos pesados no corredor. Sempre acho que alguém vai entrar e leva-la daqui. Ela ri quando falo desses medos.
Eu me inebrio dela. Ela me domina como veneno e antídoto na mesma proporção. Ela é tão intensa que quando sorri me leva o ar dos pulmões por uns instantes.
Não sei o que ela diz aos outros quando sai, não sei como explica o tempo que passa comigo. E eu não pergunto. No fundo nem quero as respostas...
Esse estranho e irrefreável amor é minha verdade agora; não busco certezas. E eu gosto de olhar para ela e não ter certezas.
Ela abre os olhos, sonolenta. Sorri. São tantos flashs na minha cabeça... Já sei que esta perto da hora em que ela vai embora... São seus compromissos. Uma vida lá fora onde eu fico de fora, onde meu lugar é esse mesmo.
Ela se espreguiça na cama, sorri novamente.
- Me dá um cigarro, ela diz.
Sorrio de volta, coração acelerado, já sei que hoje, só por hoje, ela vai ficar.
Tatiane Argenta
Leca Lichacovski
Pâmela Marques
Mario Feitosa
Joany Talon
Jeessy Batista
Giselle Ferreira
21 de out. de 2015
eu-lacuna
Então ela estancou.
Estancou simplesmente; ali na mesa, olhando o computador
lotado de e-mails que urgiam em respostas e ela sequer os compreendia... ela
lia e relia e nada fazia sentido, apenas
a própria dor era figura constante, lasciva e inteira.
Caminhou até o banheiro, intuía que lavar o rosto a livraria
da angústia que vinha lhe comendo a alma.
E dessas coisa loucas que a vida faz e não explica; ela
olhou-se de frente, de novo. Ali mesmo, naquele banheiro pequeno, com luz fraca
e um espelho grande.
Seus olhos se encararam silenciosos, ela desejou estar na
Matrix. Estendeu a mão até o espelho e riu sozinha quando tocou com as pontas
dos dedos, desejando que o espelho cedesse.
Olhou a sua volta e de novo para o reflexo, e viu lá, bem ali na sua frente, claro
e largo, seu sorriso. Aquele que havia sumido há dias e que dera lugar as
torrentes constantes de lagrimas. E ela pode gargalhar sinceramente, riso solto, rouco, louco. E viu que
isso era bom!
E ali, naquele banheiro, ela decidiu que o bom era todo o amor
que teve na vida. E lembrou-se de Gonçalves Dias... e riu de novo. A vida é
mesmo poesia.
Se se morre de amor
“Se se morre de amor! – Não, não se morre,
Quando é fascinação que nos surpreende
De ruidoso sarau entre os festejos;
Quando luzes, calor, orquestra e flores
Assomos de prazer nos raiam n’alma,
Que embelezada e solta em tal ambiente
No que ouve e no que vê prazer alcança!”
“Se se morre de amor! – Não, não se morre,
Quando é fascinação que nos surpreende
De ruidoso sarau entre os festejos;
Quando luzes, calor, orquestra e flores
Assomos de prazer nos raiam n’alma,
Que embelezada e solta em tal ambiente
No que ouve e no que vê prazer alcança!”
9 de out. de 2015
Sobre recomeços
Ontem foi dia de postagem coletiva dos Escritores da Era do
Compartilhamento.
O tema era Recomeço.
E recomeçar vale a pena, pois a alma não é pequena.
E recomeçar vale a luta, vale a caminhada, vale as lágrimas
derramadas, vale os sorrisos divididos.
A vida, sempre cíclica, sempre cheia de (re)começos, é nossa forma
de sermos ainda melhores.
A vezes dói, as vezes quebra, mas vale. Sempre vale!
Eu não tive tempo de fazer um texto grande, nem melhor, mas quero
compartilhar com vocês, os textos MARAVILHOSOS, escritos pelos meus colegas, e
agora já amigos.
Leiam a vontade, e quando cansarem , leiam mais; é um recomeço!
17 de set. de 2015
O espelho
*Texto em parceria com Filipe Sena, criador do Cachorros de Bikini. Passem lá pra ver as "Filipices" desse rapaz, que vale a pena!!!
**Postagem coletiva do grupo Escritores da Era do Compartilhamento - Amores Finitos
(Imagem by Google)
O Amor dela acabou.
Dava pra ver nos olhos dela. Ela estava na minha frente, mas só me olhava
quando não podia evitar. Tentava disfarçar, conversava como se nada tivesse
acontecido, ria como sempre e parecia tão incomodada com a música do lugar
quanto sempre. Tudo estava igual… Menos os olhos.
Ela se orgulhava de
conseguir enganar qualquer um, mas comigo era diferente, bastava olhar nos
olhos dela para lê-la como um livro infantil. Mais imagens do que palavras e
sem significados ocultos. Ela contou uma meia duzia de mentiras e eu não
acreditei. Foi como a gente se conheceu, foi quando o amor apareceu nos olhos
dela.
Quando me falavam dela
diziam que ela não prestava, que tinha namorados e amigos quase como um
material descartável. “Ela se cansa rápido das pessoas”, me diziam,
“Relacionamentos já nascem com prazo de validade, qualquer dia eu descubro qual
o prazo do nosso”, me dizia ela. Eu sabia que ela não estava mentindo.
Antes dela minha vida
não tinha muita cor, nem cheiro e nem sabor. A mudança não demorou. Com ela
vieram todas as cores, odores desconhecidos e sabores fortes, doces e amargos.
Principalmente os amargos. Amargo de travar na garganta, de deixar careta
depois de passar. Melhor do que qualquer doce que eu já provei. “Não seja tão
doce, doce demais qenjoa”, ela dizia de mim, mas eu nem ligava.
Talvez fosse disso que ela realmente gostava, de ter alguém menos amargo, com
gosto mais fraco e que não desafiava o paladar… Mas houve um dia, me lembro
como se fosse agora, quando ela me olhou e nos olhos dela não havia nada para
mim. Nem amor, nem mentiras.
Hoje estamos aqui.
Juntos. Mas não vejo mais amor nos olhos dela. Talvez ela não queira admitir.
Se recusa a reconhecer o corpo inerte do amor que ela um dia teve por mim. Quem
sabe ela conseguiu se enganar de tal maneira que ficou impossível perceber o
pobre sentimento morto estirado na nossa frente... No final não importa se ela
não sabe ou finge não saber. Eu sei. Acabou. O amor dela morreu.
* * *
O amor
dele parecia infinito. Os olhos atentos aos meu gestos me deixavam nervosa. Eu
tentava não fitá-lo. A música me incomodava, mas ele parecia gostar. Eu falava,
falava tanto que parecia um monólogo. Apenas meus olhos podiam me denunciar.
Nunca entendi bem de amores infinitos.
Era
estranho agora, ele tinha a certeza de me conhecer bem, mas eu sempre fora boa
em enganar. Nunca gostei de ser lida nem adivinhada,. Eu falei qualquer coisa e
ele riu, como se em nada acreditasse. Nunca entendi de credibilidade, mas
gostei daquele riso doce. Curioso é que pra ele eu quase não mentia, não via
muita razão. Embora ele me cansasse como todos os outros, acabou se mostrando
uma companhia muito melhor do que o esperado. As pessoas diziam horrores sobre
mim e ele ria, sempre ria. Nunca desejei nada a longo prazo, e nisso ele
acreditava. Amor só dura o tempo que durar, um ano, um mês, um dia. Com ele
durou um pouco mais.
Causei
alguns estragos, eu sei. "Doce demais" eu lhe dizia, a vida dele
parecia morna e não havia alegria. Então eu cheguei feito um estrondo, como na
musica que ele ouvia pra lembrar de mim. Invadi sem discrição, eu o fiz
rir e chorar, mas ele continuou suave, risonho, amoroso. Eu sabia que era
intensa, ardente, por vezes assustadora. Rasguei sua poesia com unhas fortes e
afiadas, deixei que se inebriasse de mim como um veneno viciante. Ria de suas
pequenas trapalhadas, causava certo mal por mero prazer, mas gostava desse
sabor que era ele, diferente de tudo que travava na minha garganta ele me
descia fácil. Era quase como se pudesse ser eterno. Só que nunca me interessei
por eternidade. Um dia olhei nos olhos dele e em mim não havia nada.
Hoje
estamos juntos aqui, eu olho pra ele e tudo o que eu nunca soube, mas tentei
entender, se estende diante de nós. Um sentimento curvado que eu bem sei como
é. Difícil é admitir. No fundo eu sei que ele sabe. O meu amor acabou.
(A música citada no texto é essa aqui )
Links dos demais textos com o mesmo tema:
Leca Lichacovsck Não acredito em amores finitos
Jeessy Batista
Cíntia Gomes Você não sabe o que é amor
Juliane Rodrigues Poucos parágrafos e um fim.
(A música citada no texto é essa aqui )
Links dos demais textos com o mesmo tema:
Leca Lichacovsck Não acredito em amores finitos
Jeessy Batista
Cíntia Gomes Você não sabe o que é amor
Juliane Rodrigues Poucos parágrafos e um fim.
2 de set. de 2015
Sobre Saudade
Saudade, já dizia Clarice Lispector, é um dos sentimentos mais urgentes que existem.
É dos sentires que tiram o ar, que tiram o senso, que doem fisicamente, mesmo sendo sentimento.
Porque a vida é assim, mar aberto, estrada larga, e a gente vai vivendo.
Vai seguindo, nem dá mesmo para parar, é sempre um curso constante, um caminhar de passos rápidos.
E um dia no meio disso tudo, a gente olha de lado, vislumbra um vulto cheio de amor do que viveu e se deixa pegar na tal saudade.
São momentos da infância quando o dia acabava em balas dadinho.
São os risos adolescentes e a descoberta de si mesmo.
São os 18 anos e o peito cheio de certeza.
São os anos vividos desejosos de um futuro que não se define.
São os amores, os vividos, os sentidos, os escondidos, os escolhidos e os perdidos.
E assim, no meio da saudade, você descobre que toda forma de amor vale a pena.
A gente lembra das coisas que viveu, de tudo o que sentiu e se vê como num filme, olhando de longe, mas olhando de dentro.
E vez por outra fica assim, tomado dessa coisa que arde o peito, que reaviva a memória, que faz gente chorar e rir e rir e chorar tudo junto, meio maluco.
A vida não acontece linear e a gente vai em frente, canta as canções que aprendeu por anos, e cada uma diz uma coisa. E a gente sente falta dos amigos, da comida da mãe, até do medo que sentia do pai. A coisa ferve, vem lá a falta dos irmãos, do amor, de mais tempo que a gente não teve pra fazer tudo.
Daí a gente chora um pouco, quer viver um pouco disso tudo que faz bem a alma, e a vida continua seguindo seu próprio ritmo, sem texto nem regra.
E um dia, quando a gente acerta o passo com a tal vida, numa noite de quarta-feira, senta em frente o computador com uma boa taça de vinho e deixa a saudade acontecer.
Deixa o peito morno dessas cenas doces e urgentes de serem lembradas. Abre um sorriso largo, pois saudade também é conforto, também é história, também é vida.
E vem a falta do agora. Do hoje, do café com a mãe, do riso dos filhos, dos abraços dos amigos, do beijo do amor.
Sim, Clarice estava coberta de razão. Saudade é um dos sentimentos mais urgentes que existem!
OBS: Essa é uma postagem coletiva do projeto literário Escritores da Era do Compartilhamento.
abaixo links dos demais participantes desse tema. Leia a vontade e venha nos conhecer.
Tatiane Argenta
https://www.facebook.com/tatiiargenta/photos/a.1396135604032878.1073741828.1396097807369991/1494083840904720/?type=1&permPage=1
Leca Lichacovski
http://www.cerejanoombro.com/.../queria-te-guardar-em-mim/
Sâmela Faria
http://www.escriturasdaalma.com.br/.../a-saudade-e-uma...
Jô Lima
https://www.facebook.com/EscritoraJoLima/photos/a.440406796007173.98306.440398222674697/998472943533886/?type=1&permPage=1
Nathalia Moraes
http://nathaliamoraes.blogspot.com.br/.../eu-sempre...
Juliane Rodrigues
http://julianelrodriguess.blogspot.com.br/.../de-repente...
Taminhe C. Engler
http://vidaitinerante.com.br/11-graus-de-frio-e-saudade/
Taciana C. G. Gaideski
https://www.facebook.com/tacianagaideski/photos/a.1572009059745115.1073741828.1571606996451988/1623093177970036/?type=1&theater
Maria Fernanda Probst
http://www.fernandaprobst.com.br/.../tatuei-voce-na-pele...
Cristina Souza
http://coffeeismyboyfriend.blogspot.com.br/.../devaneios...
Pâmela Marques
http://www.pe-da-cos.blogspot.com.br/.../traduzo-saudade...
Fábio Chap
https://www.facebook.com/chapfabio/posts/715440491933635
Joany Talon
http://manuscritojtalon.blogspot.com.br/.../post-coletivo...
Valter Junior
http://putaletra.com.br/.../saudade-e-aquilo-que-fica.../
Tayane Sanschri
http://tayanesanschriescritora.blogspot.com.br/.../por-do..
Layna Diaz
https://www.facebook.com/VallenttinaBook/photos/a.258996780945489.1073741830.168721719972996/510195255825639/?type=1
Fernando Suhet
https://www.facebook.com/mundoescritofs/photos/a.1581713435425576.1073741829.1575289079401345/1618563355073917/?type=1&theater
Cíntia Gomes
http://www.lentrel.com.br/.../de-cama-vazia-e-coracao...
Allison Chistian
http://www.historiasquenuncavivi.com/.../aquele-adeus-que...
1 de set. de 2015
Ele, Clarice e Fim
Clarice era o nome que lhe comia a alma. Devorava-lhe a calma e o entorpecia de vez em quando. Clarice! Ele jamais esqueceria.
Clarice tinha olhos claros, de um verde profundo e provocante e um jeito de olhar que destruía as certezas de quem a ousava encarar.
Ela era toda amor em seu sorriso largo por trás dos lábios, displicentemente, desenhados.
Clarice era toques por suas mãos languidas de unhas bem aparadas, com sua pele branca, mãos suaves e bem desenhadas.
Ela era, ainda, a lembrança que lhe atordoava o senso e tomava de si o ar dos pulmões.
Clarice…
E ele?
Ele existia. Era o lembrador dela. Era quem a mantinha intacta em sua breve existência de sentimentos.
Não, ele não tinha os olhos claros como os dela, ao contrário, possuía olhos escuros como a noite sem luar.
Seu sorriso embora farto por trás dos lábios carnudos, não se fazia grande como o acaso labial de Clarice.
Nem sua pele tinha a mesma alvura; a dele carregava manchas de sol e ansiedade.
Ele era só ele, e nada além
Ele sentia, somente. E em seu sentir vezes amava e vezes odiava Clarice; simplesmente por que ela estava lá. Existia dentro dele, a revelia de seu querer.
E ele era quem sabia Clarice.
Adivinhava as pequenas mentiras, sabia as necessidades, via a saudade… Ele sabia sobre ela.
Clarice dizia que eram destinos. Ele dizia que era nada.
Casaram-se uma vez, por acaso, entre lençóis e esperanças. Mas ele não ficou. Ele queria o mundo, ele queria o mar.
Ele queria ir aonde ela não podia estar.
E ela? Ela sofreu.
Jurou amor, jurou ódio, jurou vingança. Chorou, implorou e escarneceu. Gritou, chutou e cuspiu-lhe na cara.
E houve um grande silêncio.
Ele jamais pode ama-la, e jamais pode esquecê-la.
E agora caminham assim. Ela todo amor e dor; ele seu lembrador. Eis o Fim.
Texto meu, originalmente publicado em http://rodadeescritores.com.br/2015/03/26/mariah-alcantara/ele-clarice-e-fim/
26 de ago. de 2015
Sobre culpa ou amor
E ela me perguntou qual o peso da culpa que eu carregava nos
braços?
E eu não carregava culpa. Não tinha peso. Não tinha nada.
O que eu carregava era um sentimento maior, morno, que me
confortava. Carregava a alegria por vê-la sorrindo, carregava o tremor do corpo
quando ela me envolvia em seus braços, carregava a lembrança dos nossos olhares
enquanto ela me beijava, carregava a minha entrega a ela. Ainda que fosse
naquele instante.
Não, eu não carregava culpa.
Tinha me despido desse peso, pois ele me impedia de amar. Me
impediria de ama-la, inclusive; E eu queria ama-la. Eu não a queria pra mim,
mas a queria minha. Ainda que fosse naquele instante, naquele beijo, naquele
abraço, naquele desejo.
Não, eu não podia pensar em culpas quando ela me fazia
feliz, quando ela vergava o corpo pra sentir minha pele junto a dela.
Eu não sabia nada de culpas.
Nos meus braços eu carregava amores, cuidados. Carregava
histórias, até lagrimas; E eu carregava escolhas. Muitas delas; algumas
poéticas e outras nem tanto. Mas culpa? Não, eu não sentia culpa. Eu carregava,
também, alegria, afeto, carinho. Carregava desejo. Carregava acalanto, carregava
até broncas. Ah, e cansaço. Eu carregava cansaço!
Carregava, ainda, sonhos e frustrações, carregava alegrias,
e algumas decepções, carregava medo, saudade...
Carrego liberdade!
Mas culpa? Não.
A culpa eu deixo para quem tem.
E para vida deixo um beijo azul de completude, e que siga assim,
muito e amiúde, eterna e ternamente.
Beijos na Alma
13 de abr. de 2015
Por ela.
Se eu dissesse que viver não dói, de vez em quando, seria
mentira. E eu disse que não mentiria.
Então eu não podia dizer nada; mas lá no fundo ela me
percebia. E que assustador ser vista assim, por quem por vezes desconheço, e
mesmo assim me sabe tão bem.
E ela insistia que reparava em mim, e no começo eu não
acreditei. Não que eu pensasse que era mentira, não mesmo. Só que achei que não
era observação. Era um olhar apenas, desses que a gente derrama com certo
carinho e nada mais.
E ela me deu medo.
Me deu pavor, na verdade!
Ela podia amar tanto quanto eu podia.
Ela podia se dedicar
tanto quanto eu podia, até mais, eu acho. Porque eu já estava cansada da
estrada e ela ainda tinha muito pra caminhar.
Um dia eu tive raiva dela. Sei lá, dessas raivas que a gente
sente é quer agredir o outro de qualquer maneira, mas lá no fundo, a gente
agride a gente mesmo... e daí eu falei. Falei mesmo.
Falei que estava cansada, atirei bem no meio da cara dela, um
resumo do que eu já tinha passado.
Eu queria mesmo era que ela gritasse de volta, bem no meio da
minha cara, que eu era esnobe, chata, e metida e sabe tudo.
Já pensou? Seria perfeito pra eu desistir dela. Fim, coisa rápida,
quase indolor.
Mas ela me disse simplesmente que já tinha vivido o mesmo.
E eu a amei mais um pouco.
Ela me disse que eu não olhava pra certas pessoas pra não me
ver refletida nelas, que eram minha “kriptonita”; eu ri alto. Alto mesmo. Desses
risos frouxos carregados de certa loucura.
Minha kriptonita era ela.
Era por ela que meu poder falhava, assim como era ela que alimentava a minha força.
Era dela que eu precisava todos os dias. Uma palavra, um
sorriso, qualquer coisa...
E então, eu olhei bem nos olhos dela, bem fixo mesmo, e
cheguei bem perto do espelho e disse:
-Eu amo você!
A moça do reflexo sorriu. Estávamos prontas para vida e era
só segunda-feira
28 de mar. de 2015
Texto especial!
Todo o meu carinho ao receber, esse presente da linda e querida amiga, Aline Xavier.
Na minha vida, gente Tem gente que está sempre presente.
Tem gente que quase sempre está ausente.
Tem gente que fica pouco, porém com presença.
Tem gente que fica muito, com ausência.
Tem gente que por vezes está, tem gente que passa e se deixa levar.
Tem gente que leva um pouco de mim, tem gente que deixa algo aqui e tem gente que chega e permanece. Porém, o mais importante é que sempre tem gente.
Sobre Aline Xavier
Ex-concurseira olímpica, amante da escrita e fascinada por relações humanas. Psicóloga para os amigos, não sabe o que fazer com a própria vida. Apaixonada por pessoas consideradas ovelhas negras, com as quais comumente se identifica. Atualmente funcionária pública, está na jornada em busca do seu propósito. Escreve sobre um pouco de tudo em alinexavier.me, no blog Superela e em facebook.com/alineandxavier.
4 de mar. de 2015
Bloqueio de sentires
(Imagem by Google)
E aí que eu decidi escrever muito nesse ano, e a primeira
coisa que consigo é um bloqueio.
Seria cômico se não fosse trágico...
Um monte de concursos aí, eu querendo participar, mas não sai
nada, uma linha, umazinha sequer.
Foi um parto escrever um conto ruim de 4 paginas.
Forçado mesmo.
Onde me perdi, não sei...
As palavras gastas e já tão iguais ficaram na estrada.
Talvez eu precise do silencio da madrugada, da luminária
branca, uma boa escrivaninha e uma xícara de café.
Talvez me falte mais amor no coração.
Talvez me falte observar.
Não sei.
Apenas não saio do lugar. E são voltas e voltas, e vejo a
letras virando tantas frases, sendo seguidas de perto pelo delete.
Eu, vã aspirante a escritora, já tendo bloqueios.
É sim. E, repito, seria trágico se não fosse cômico.
Tento escrever um texto e já penso, não gosto de segundas
feiras.
Onde eu fiquei?
Em que ano ficou minha ordem?
Onde foi parar a escrivaninha branca e suas duas gavetas?
Cade as velas aromatizadas que perfumavam as gavetas?
Onde deixei a ordem das minhas roupas, dos meus livros?
Onde esta a ordem linear da minha mente?
Onde está a ordem do meu coração?
Hoje me vejo incapaz de escrever sobre essas machucaduras,
coisas que a vida arruma, quando a gente se percebe vivendo...
Hoje me sinto incapaz de escrever sobre você.
Beijos na alma.
19 de fev. de 2015
Eu to voltando pra casa, outra vez.
Eu fui e voltei. É voltei sim!
Por um tempo não quis ver a história que me fez eu.
Por um tempo, estar nesse espaço não se parecia comigo, pois eu não estava mais tão nua, afinal.
E me doeu sair; doeu tanto que mesmo saindo eu fiquei.
Mas esse espaço, essa "casa", que me permitiu por mais de 05 anos contar e recontar meus contos, minha poesia, minhas prosas. Esse canto é meu, esse canto sou eu!!
Foi aqui que soltei meus versos mais doces e minhas dores mais amargas.
Foi aqui que sobrevivi a doenças do corpo e da alma, superei amores findos, comemorei novos amores e recomecei.
E é essa cara que me me representa.
Foi esse espaço que recebeu selos, que concorreu ao TOP 100.
E, sim, volto a escrever aqui, de Alma Nua, cabeça cheia de textos e coração cheio de amor!
Vem me ler, vem comentar!
Beijos na alma.
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