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11 de dez de 2015

Me dá um cigarro.


Texto - postagem coletiva dos Escritores da Era do Compartilhamento.
Tema "Me dá um cigarro"
Demais links no final da postagem.


(Imagem by Google)



  O som da chuva, lá fora, é como música. Eu me movo, silenciosamente, pela pequena cozinha do loft; café quente nas mãos, sentimento ardente no coração.
  Eu posso vê-la deitada na cama, dormindo profundamente. A pele brilha sob o luz do abajour.
  Já não conto as horas quando ela esta comigo; já não penso no trabalho, nem nos afazeres, pois ela logo vai embora. Ela sempre vem como uma deusa e vai como névoa pela manhã.
  Engraçado olhar para ela ali... não sei ao certo como começamos. Um acaso no metro, e agora ela esta ali, tão perto de mim.
  Me assalta o medo quando ouço passos pesados no corredor. Sempre acho que alguém vai entrar e leva-la daqui. Ela ri quando falo desses medos.
  Eu me inebrio dela. Ela me domina como veneno e antídoto na mesma proporção. Ela é tão intensa que quando sorri me leva o ar dos pulmões por uns instantes.
  Não sei o que ela diz aos outros quando sai, não sei como explica o tempo que passa comigo. E eu não pergunto. No fundo nem quero as respostas...
  Esse estranho e irrefreável amor é minha verdade agora; não busco certezas. E eu gosto de olhar para ela e não ter certezas.
  Ela abre os olhos, sonolenta. Sorri. São tantos flashs na minha cabeça... Já sei que esta perto da hora em que ela vai embora... São seus compromissos. Uma vida lá fora onde eu fico de fora, onde meu lugar é esse mesmo.
  Ela se espreguiça na cama, sorri novamente.
- Me dá um cigarro, ela diz.
  Sorrio de volta, coração acelerado, já sei que hoje, só por hoje, ela vai ficar.


Tatiane Argenta

Leca Lichacovski

Pâmela Marques

Mario Feitosa


Joany Talon

Jeessy Batista

Giselle Ferreira

21 de out de 2015

eu-lacuna



Então ela estancou.
Estancou simplesmente; ali na mesa, olhando o computador lotado de e-mails que urgiam em respostas e ela sequer os compreendia... ela lia  e relia e nada fazia sentido, apenas a própria dor era figura constante, lasciva e inteira.
Caminhou até o banheiro, intuía que lavar o rosto a livraria da angústia que vinha lhe comendo a alma.
E dessas coisa loucas que a vida faz e não explica; ela olhou-se de frente, de novo. Ali mesmo, naquele banheiro pequeno, com luz fraca e um espelho grande. 
Seus olhos se encararam silenciosos, ela desejou estar na Matrix. Estendeu a mão até o espelho e riu sozinha quando tocou com as pontas dos dedos, desejando que o espelho cedesse.
Olhou a sua volta e de novo para o reflexo, e viu lá, bem ali na sua frente, claro e largo, seu sorriso. Aquele que havia sumido há dias e que dera lugar as torrentes constantes de lagrimas. E ela pode gargalhar sinceramente, riso solto, rouco, louco. E viu que isso era bom!
E ali, naquele banheiro, ela decidiu que o bom era todo o amor que teve na vida. E lembrou-se de Gonçalves Dias... e riu de novo. A vida é mesmo poesia.


Se se morre de amor

“Se se morre de amor! – Não, não se morre,
Quando é fascinação que nos surpreende
De ruidoso sarau entre os festejos;
Quando luzes, calor, orquestra e flores
Assomos de prazer nos raiam n’alma,
Que embelezada e solta em tal ambiente
No que ouve e no que vê prazer alcança!”

9 de out de 2015

Sobre recomeços







Ontem foi dia de postagem coletiva dos Escritores da Era do Compartilhamento.
O tema era Recomeço.

E recomeçar vale a pena, pois a alma não é pequena.
E recomeçar vale a luta, vale a caminhada, vale as lágrimas derramadas, vale os sorrisos divididos.
A vida, sempre cíclica, sempre cheia de (re)começos, é nossa forma de sermos ainda melhores.
A vezes dói, as vezes quebra, mas vale. Sempre vale!

Eu não tive tempo de fazer um texto grande, nem melhor, mas quero compartilhar com vocês, os textos MARAVILHOSOS, escritos pelos meus colegas, e agora já amigos.


Leiam a vontade, e quando cansarem , leiam mais; é um recomeço!





17 de set de 2015

O espelho



*Texto em parceria com Filipe Sena, criador do Cachorros de Bikini. Passem lá pra ver as "Filipices" desse rapaz, que vale a pena!!!
**Postagem coletiva do grupo Escritores da Era do Compartilhamento - Amores Finitos



(Imagem by Google)



            O Amor dela acabou. Dava pra ver nos olhos dela. Ela estava na minha frente, mas só me olhava quando não podia evitar. Tentava disfarçar, conversava como se nada tivesse acontecido, ria como sempre e parecia tão incomodada com a música do lugar quanto sempre. Tudo estava igual… Menos os olhos.
            Ela se orgulhava de conseguir enganar qualquer um, mas comigo era diferente, bastava olhar nos olhos dela para lê-la como um livro infantil. Mais imagens do que palavras e sem significados ocultos. Ela contou uma meia duzia de mentiras e eu não acreditei. Foi como a gente se conheceu, foi quando o amor apareceu nos olhos dela.
            Quando me falavam dela diziam que ela não prestava, que tinha namorados e amigos quase como um material descartável. “Ela se cansa rápido das pessoas”, me diziam, “Relacionamentos já nascem com prazo de validade, qualquer dia eu descubro qual o prazo do nosso”, me dizia ela. Eu sabia que ela não estava mentindo.
            Antes dela minha vida não tinha muita cor, nem cheiro e nem sabor. A mudança não demorou. Com ela vieram todas as cores, odores desconhecidos e sabores fortes, doces e amargos. Principalmente os amargos. Amargo de travar na garganta, de deixar careta depois de passar. Melhor do que qualquer doce que eu já provei. “Não seja tão doce, doce demais   qenjoa”, ela dizia de mim, mas eu nem ligava. Talvez fosse disso que ela realmente gostava, de ter alguém menos amargo, com gosto mais fraco e que não desafiava o paladar… Mas houve um dia, me lembro como se fosse agora, quando ela me olhou e nos olhos dela não havia nada para mim. Nem amor, nem mentiras.
            Hoje estamos aqui. Juntos. Mas não vejo mais amor nos olhos dela. Talvez ela não queira admitir. Se recusa a reconhecer o corpo inerte do amor que ela um dia teve por mim. Quem sabe ela conseguiu se enganar de tal maneira que ficou impossível perceber o pobre sentimento morto estirado na nossa frente... No final não importa se ela não sabe ou finge não saber. Eu sei. Acabou. O amor dela morreu.

* * *

           O amor dele parecia infinito. Os olhos atentos aos meu gestos me deixavam nervosa. Eu tentava não fitá-lo. A música me incomodava, mas ele parecia gostar. Eu falava, falava tanto que parecia um monólogo. Apenas meus olhos podiam me denunciar. Nunca entendi bem de amores infinitos.
            Era estranho agora, ele tinha a certeza de me conhecer bem, mas eu sempre fora boa em enganar. Nunca gostei de ser lida nem adivinhada,. Eu falei qualquer coisa e ele riu, como se em nada acreditasse. Nunca entendi de credibilidade, mas gostei daquele riso doce. Curioso é que pra ele eu quase não mentia, não via muita razão. Embora ele me cansasse como todos os outros, acabou se mostrando uma companhia muito melhor do que o esperado. As pessoas diziam horrores sobre mim e ele ria, sempre ria. Nunca desejei nada a longo prazo, e nisso ele acreditava. Amor só dura o tempo que durar, um ano, um mês, um dia. Com ele durou um pouco mais.
            Causei alguns estragos, eu sei. "Doce demais" eu lhe dizia, a vida dele parecia morna e não havia alegria. Então eu cheguei feito um estrondo, como na musica que ele ouvia pra lembrar de mim. Invadi  sem discrição, eu o fiz rir e chorar, mas ele continuou suave, risonho, amoroso. Eu sabia que era intensa, ardente, por vezes assustadora. Rasguei sua poesia com unhas fortes e afiadas, deixei que se inebriasse de mim como um veneno viciante. Ria de suas pequenas trapalhadas, causava certo mal por mero prazer, mas gostava desse sabor que era ele, diferente de tudo que travava na minha garganta ele me descia fácil. Era quase como se pudesse ser eterno. Só que nunca me interessei por eternidade. Um dia olhei nos olhos dele e em mim não havia nada.
            Hoje estamos juntos aqui, eu olho pra ele e tudo o que eu nunca soube, mas tentei entender, se estende diante de nós. Um sentimento curvado que eu bem sei como é. Difícil é admitir. No fundo eu sei que ele sabe. O meu amor acabou.


(A música citada no texto é essa aqui )

Links dos demais textos com o mesmo tema:

Leca Lichacovsck Não acredito em amores finitos

Jeessy Batista


Cíntia Gomes Você não sabe o que é amor


Juliane Rodrigues Poucos parágrafos e um fim.


2 de set de 2015

Sobre Saudade




Saudade, já dizia Clarice Lispector, é um dos sentimentos mais urgentes que existem.
É dos sentires que tiram o ar, que tiram o senso, que doem fisicamente, mesmo sendo sentimento.
Porque a vida é assim, mar aberto, estrada larga, e a gente vai vivendo. 
Vai seguindo, nem dá mesmo para parar, é sempre um curso constante, um caminhar de passos rápidos.
E um dia no meio disso tudo, a gente olha de lado, vislumbra um vulto cheio de amor do que viveu e se deixa pegar na tal saudade.
São momentos da infância quando o dia acabava em balas dadinho.
São os risos adolescentes e a descoberta de si mesmo.
São os 18 anos e o peito cheio de certeza.
São os anos vividos desejosos de um futuro que não se define.
São os amores, os vividos, os sentidos, os escondidos, os escolhidos e os perdidos.
E assim, no meio da saudade, você descobre que toda forma de amor vale a pena.
A gente lembra das coisas que viveu, de tudo o que sentiu e se vê como num filme, olhando de longe, mas olhando de dentro. 
E vez por outra fica assim, tomado dessa coisa que arde o peito, que reaviva a memória, que faz gente chorar e rir e rir e chorar tudo junto, meio maluco.
A vida não acontece linear e a gente vai em frente, canta as canções que aprendeu por anos, e cada uma diz uma coisa. E a gente sente falta dos amigos, da comida da mãe, até do medo que sentia do pai. A coisa ferve, vem lá a falta dos irmãos, do amor, de mais tempo que a gente não teve pra fazer tudo.
Daí a gente chora um pouco, quer viver um pouco disso tudo que faz bem a alma, e a vida continua seguindo seu próprio ritmo, sem texto nem regra.
E um dia, quando a gente acerta o passo com a tal vida, numa noite de quarta-feira, senta em frente o computador com uma boa taça de vinho e deixa a saudade acontecer.
Deixa o peito morno dessas cenas doces e urgentes de serem lembradas. Abre um sorriso largo, pois saudade também é conforto, também é história, também é vida. 
E vem a falta do agora. Do hoje, do café com a mãe, do riso dos filhos, dos abraços dos amigos, do beijo do amor.
Sim, Clarice estava coberta de razão. Saudade é um dos sentimentos mais urgentes que existem!


OBS: Essa é uma postagem coletiva do projeto literário Escritores da Era do Compartilhamento.
abaixo links dos demais participantes desse tema. Leia a vontade e venha nos conhecer.

Tatiane Argenta
https://www.facebook.com/tatiiargenta/photos/a.1396135604032878.1073741828.1396097807369991/1494083840904720/?type=1&permPage=1

Leca Lichacovski
 http://www.cerejanoombro.com/.../queria-te-guardar-em-mim/

Sâmela Faria
http://www.escriturasdaalma.com.br/.../a-saudade-e-uma...

 Jô  Lima
https://www.facebook.com/EscritoraJoLima/photos/a.440406796007173.98306.440398222674697/998472943533886/?type=1&permPage=1

Nathalia Moraes
http://nathaliamoraes.blogspot.com.br/.../eu-sempre...

Juliane Rodrigues
http://julianelrodriguess.blogspot.com.br/.../de-repente...

Taminhe C. Engler
http://vidaitinerante.com.br/11-graus-de-frio-e-saudade/

Taciana C. G. Gaideski
https://www.facebook.com/tacianagaideski/photos/a.1572009059745115.1073741828.1571606996451988/1623093177970036/?type=1&theater

Maria Fernanda Probst
http://www.fernandaprobst.com.br/.../tatuei-voce-na-pele...

Cristina Souza
http://coffeeismyboyfriend.blogspot.com.br/.../devaneios...

Pâmela Marques
http://www.pe-da-cos.blogspot.com.br/.../traduzo-saudade...

Fábio Chap
https://www.facebook.com/chapfabio/posts/715440491933635

Joany Talon
http://manuscritojtalon.blogspot.com.br/.../post-coletivo...

Valter  Junior
http://putaletra.com.br/.../saudade-e-aquilo-que-fica.../

Tayane Sanschri
  http://tayanesanschriescritora.blogspot.com.br/.../por-do..

Layna Diaz
https://www.facebook.com/VallenttinaBook/photos/a.258996780945489.1073741830.168721719972996/510195255825639/?type=1

Fernando Suhet
https://www.facebook.com/mundoescritofs/photos/a.1581713435425576.1073741829.1575289079401345/1618563355073917/?type=1&theater

Cíntia Gomes
http://www.lentrel.com.br/.../de-cama-vazia-e-coracao...

Allison Chistian
http://www.historiasquenuncavivi.com/.../aquele-adeus-que...







1 de set de 2015

Ele, Clarice e Fim





Clarice era o nome que lhe comia a alma. Devorava-lhe a calma e o entorpecia de vez em quando. Clarice! Ele jamais esqueceria.
Clarice tinha olhos claros, de um verde profundo e provocante e um jeito de olhar que destruía as certezas de quem a ousava encarar.
Ela era toda amor em seu sorriso largo por trás dos lábios, displicentemente, desenhados.
Clarice era toques por suas mãos languidas de unhas bem aparadas, com sua pele branca, mãos suaves e bem desenhadas.
Ela era, ainda, a lembrança que lhe atordoava o senso e tomava de si o ar dos pulmões.
Clarice…
E ele?
Ele existia. Era o lembrador dela. Era quem a mantinha intacta em sua breve existência de sentimentos.
Não, ele não tinha os olhos claros como os dela, ao contrário, possuía olhos escuros como a noite sem luar.
Seu sorriso embora farto por trás dos lábios carnudos, não se fazia grande como o acaso labial de Clarice.
Nem sua pele tinha a mesma alvura; a dele carregava manchas de sol e ansiedade.
Ele era só ele, e nada além
Ele sentia, somente. E em seu sentir vezes amava e vezes odiava Clarice; simplesmente por que ela estava lá. Existia dentro dele, a revelia de seu querer.
E ele era quem sabia Clarice.
Adivinhava as pequenas mentiras, sabia as necessidades, via a saudade… Ele sabia sobre ela.
Clarice dizia que eram destinos. Ele dizia que era nada.
Casaram-se uma vez, por acaso, entre lençóis e esperanças. Mas ele não ficou. Ele queria o mundo, ele queria o mar.
Ele queria ir aonde ela não podia estar.
E ela? Ela sofreu.
Jurou amor, jurou ódio, jurou vingança.  Chorou, implorou e escarneceu. Gritou, chutou e cuspiu-lhe na cara.
E houve um grande silêncio.
Ele jamais pode ama-la, e jamais pode esquecê-la.
E agora caminham assim. Ela todo amor e dor; ele seu lembrador. Eis o Fim.


Texto meu, originalmente publicado em http://rodadeescritores.com.br/2015/03/26/mariah-alcantara/ele-clarice-e-fim/

26 de ago de 2015

Sobre culpa ou amor







E ela me perguntou qual o peso da culpa que eu carregava nos braços?
E eu não carregava culpa. Não tinha peso. Não tinha nada.
O que eu carregava era um sentimento maior, morno, que me confortava. Carregava a alegria por vê-la sorrindo, carregava o tremor do corpo quando ela me envolvia em seus braços, carregava a lembrança dos nossos olhares enquanto ela me beijava, carregava a minha entrega a ela. Ainda que fosse naquele instante.
Não, eu não carregava culpa.
Tinha me despido desse peso, pois ele me impedia de amar. Me impediria de ama-la, inclusive; E eu queria ama-la. Eu não a queria pra mim, mas a queria minha. Ainda que fosse naquele instante, naquele beijo, naquele abraço, naquele desejo.
Não, eu não podia pensar em culpas quando ela me fazia feliz, quando ela vergava o corpo pra sentir minha pele junto a dela.
Eu não sabia nada de culpas.
Nos meus braços eu carregava amores, cuidados. Carregava histórias, até lagrimas; E eu carregava escolhas. Muitas delas; algumas poéticas e outras nem tanto. Mas culpa?  Não, eu não sentia culpa. Eu carregava, também, alegria, afeto, carinho. Carregava desejo. Carregava acalanto, carregava até broncas. Ah, e cansaço. Eu carregava cansaço!
Carregava, ainda, sonhos e frustrações, carregava alegrias, e algumas decepções, carregava medo, saudade...
Carrego liberdade!
Mas culpa? Não.
A culpa eu deixo para quem tem.

E para vida deixo um beijo azul de completude, e que siga assim, muito e amiúde, eterna e ternamente.


Beijos na Alma

13 de abr de 2015

Por ela.




Se eu dissesse que viver não dói, de vez em quando, seria mentira. E eu disse que não mentiria.
Então eu não podia dizer nada; mas lá no fundo ela me percebia. E que assustador ser vista assim, por quem por vezes desconheço, e mesmo assim me sabe tão bem.
E ela insistia que reparava em mim, e no começo eu não acreditei. Não que eu pensasse que era mentira, não mesmo. Só que achei que não era observação. Era um olhar apenas, desses que a gente derrama com certo carinho e nada mais.
E ela me deu medo.
Me deu pavor, na verdade!
Ela podia amar tanto quanto eu podia.
Ela podia se dedicar tanto quanto eu podia, até mais, eu acho. Porque eu já estava cansada da estrada e ela ainda tinha muito pra caminhar.
Um dia eu tive raiva dela. Sei lá, dessas raivas que a gente sente é quer agredir o outro de qualquer maneira, mas lá no fundo, a gente agride a gente mesmo... e daí eu falei. Falei mesmo.
Falei que estava cansada, atirei bem no meio da cara dela, um resumo do que eu já tinha passado.
Eu queria mesmo era que ela gritasse de volta, bem no meio da minha cara, que eu era esnobe, chata, e metida e sabe tudo.
Já pensou? Seria perfeito pra eu desistir dela. Fim, coisa rápida, quase indolor.
Mas ela me disse simplesmente que já tinha vivido o mesmo.
E eu a amei mais um pouco.
Ela me disse que eu não olhava pra certas pessoas pra não me ver refletida nelas, que eram minha “kriptonita”; eu ri alto. Alto mesmo. Desses risos frouxos carregados de certa loucura.
Minha kriptonita era ela.
Era por ela que meu poder falhava, assim como era ela que alimentava a minha força.
Era dela que eu precisava todos os dias. Uma palavra, um sorriso, qualquer coisa...
E então, eu olhei bem nos olhos dela, bem fixo mesmo, e cheguei bem perto do espelho e disse:
-Eu amo você!

A moça do reflexo sorriu. Estávamos prontas para vida e era só segunda-feira

28 de mar de 2015

Texto especial!



Todo o meu carinho ao receber, esse presente da linda e querida amiga, Aline Xavier.


Na minha vida, gente Tem gente que está sempre presente. 
Tem gente que quase sempre está ausente. 
Tem gente que fica pouco, porém com presença. 
Tem gente que fica muito, com ausência.
Tem gente que por vezes está, tem gente que passa e se deixa levar. 
Tem gente que leva um pouco de mim, tem gente que deixa algo aqui e tem gente que chega e permanece. Porém, o mais importante é que sempre tem gente.



Sobre Aline Xavier
Ex-concurseira olímpica, amante da escrita e fascinada por relações humanas. Psicóloga para os amigos, não sabe o que fazer com a própria vida. Apaixonada por pessoas consideradas ovelhas negras, com as quais comumente se identifica. Atualmente funcionária pública, está na jornada em busca do seu propósito. Escreve sobre um pouco de tudo em alinexavier.me, no blog Superela e em facebook.com/alineandxavier.

4 de mar de 2015

Bloqueio de sentires



(Imagem by Google)

E aí que eu decidi escrever muito nesse ano, e a primeira coisa que consigo é um bloqueio.
Seria cômico se não fosse trágico...
Um monte de concursos aí, eu querendo participar, mas não sai nada, uma linha, umazinha sequer.
Foi um parto escrever um conto ruim de 4 paginas.
Forçado mesmo.

Onde me perdi, não sei...
As palavras gastas e já tão iguais ficaram na estrada.
Talvez eu precise do silencio da madrugada, da luminária branca, uma boa escrivaninha e uma xícara de café.
Talvez me falte mais amor no coração.
Talvez me falte observar.
Não sei.
Apenas não saio do lugar. E são voltas e voltas, e vejo a letras virando tantas frases, sendo seguidas de perto pelo delete.
Eu, vã aspirante a escritora, já tendo bloqueios.
É sim. E, repito, seria trágico se não fosse cômico.
Tento escrever um texto e já penso, não gosto de segundas feiras.
Onde eu fiquei?
Em que ano ficou minha ordem?
Onde foi parar a escrivaninha branca e suas duas gavetas?
Cade as velas aromatizadas que perfumavam as gavetas?
Onde deixei a ordem das minhas roupas, dos meus livros?
Onde esta a ordem linear da minha mente?
Onde está a ordem do meu coração?
Hoje me vejo incapaz de escrever sobre essas machucaduras, coisas que a vida arruma, quando a gente se percebe vivendo...
Hoje me sinto incapaz de escrever sobre você.


Beijos na alma.

19 de fev de 2015

Eu to voltando pra casa, outra vez.



Eu fui e voltei. É voltei sim!
Por um tempo não quis ver a história que me fez eu.
Por um tempo, estar nesse espaço não se parecia comigo, pois eu não estava mais tão nua, afinal.
E me doeu sair; doeu tanto que mesmo saindo eu fiquei.

Mas esse espaço, essa "casa", que me permitiu por mais de 05 anos contar e recontar meus contos, minha poesia, minhas prosas. Esse canto é meu, esse canto sou eu!!
Foi aqui que soltei meus versos mais doces e minhas dores mais amargas.
Foi aqui que sobrevivi a doenças do corpo e da alma, superei amores findos, comemorei novos amores e recomecei.
E é essa cara  que me me representa.
Foi esse espaço que recebeu selos, que concorreu ao TOP 100.

E, sim, volto a escrever aqui, de Alma Nua, cabeça cheia de textos e coração cheio de amor!

Vem me ler, vem comentar!

Beijos na alma.

17 de fev de 2015