Translate

8 de abr de 2016

As Mulheres de Sexta - 4º conto






Fernanda.

Acordar estava ficando pesado naqueles dias. Era tanto para dizer, tanto para fazer, tanto para pensar, Enquanto ela se vestia pensava na quantidade de tempo e de vezes que viveu aquilo... E sempre superou, sempre conquistou, sempre esteve forte. Mas, tantas vezes, sentiu vontade de parar... Ah sim, seria bom ter alguém que fizesse algo por ela, só as vezes. Ela estava cansada,
Sempre fora a mais inteligente, a mais forte, a mais esperta e e mais rápida; e ironicamente a vida lhe obrigada a provar, o tempo todo, aquilo que era. O tempo todo, era mesmo tudo do seu tempo. Do acordar ao dormir, do trajeto para o trabalho até voltar, das facetas de ser mãe, de ser esposa, de ser mulher... até ser filha ela tinha que provar tantas vezes... que cansativo.
Mas havia um lado bom. Ela provara, em todas as vezes, que era capaz; que era merecedora. Podem falar sobre meritocracia. Para ela era um fato.
Acordou o filho para a escola, e deixou o marido dormindo, Era o de sempre com açúcar.
Fez seu trajeto costumeiro e chegou no escritório atrasada;  já era parte de si. Só 15 minutos, nada demais, ela ficava tantas horas depois, que 15 minutos era quase uma piada,
Olhou em volta para o lugar conhecido de tanto tempo que quase desconhecia. Olhou as mesas vazias que eram dos amigos já idos. Empresa é assim, corte de custos e fim. Muita gente boa passou ali, Olhou as mulheres à sua volta, sabendo como era difícil se impor num ambiente tão masculino. Como era frágil a liderança feminina diante dos achismos machos dali. Impossível não pensar nas mulheres grandiosas com quem conviveu e de quem mal restara lembrança porque o mundo corporativo as engolia. 
Simples e cruel era a vida nesse mundo.
Concentrou-se na sua função, e quantas eram as coisas a serem feitas. Ligou aquele botão automático que as mulheres possuem e passou a produzir dentro do seu contexto. O dia era longo, misturado a um café, uma risada, um almoço, mais pensamentos e constatações.
Já era noite alta quando se deu conta que tinha que sair. Chamaria o táxi mais uma vez, ao menos isso. Ainda tinha a parte de chegar em casa, jantar, lição do filho, respirar. As vezes respirar tinha que ser lembrado. E foi assim que se deu, até quanto já era  bem tarde para ficar acordada.
Dormiu! Aquele sono de quem teve, mais uma vez, que provar seu valor; e sentiu mais uma vez esse cansaço antes de adormecer. Ela riu sozinha ao pensar que podia acordar com tudo diferente, um mundo mais justo, um vida mais tranquila.
Acordou e mal se lembrava de sue ultimo pensamento antes de adormecer, o tempo urge, a vida urge... Tudo de novo mais uma vez e estava pronta. No trem, em pé e cansada, ela suspirou. Sentiu o cansaço da semana, olhando as redes sociais, ela riu... Era sexta-feira, e nesse dia em algum lugar havia um pouco de afetividade!









Um comentário:

Fernanda Gomes disse...

Muitas são as Fernandas.... jeitos Fernandas de ser e de Mariah de sentir...
Todo carinho do mundo à você. Bj