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Mostrando postagens com marcador amores. Mostrar todas as postagens
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17 de set. de 2015

O espelho



*Texto em parceria com Filipe Sena, criador do Cachorros de Bikini. Passem lá pra ver as "Filipices" desse rapaz, que vale a pena!!!
**Postagem coletiva do grupo Escritores da Era do Compartilhamento - Amores Finitos



(Imagem by Google)



            O Amor dela acabou. Dava pra ver nos olhos dela. Ela estava na minha frente, mas só me olhava quando não podia evitar. Tentava disfarçar, conversava como se nada tivesse acontecido, ria como sempre e parecia tão incomodada com a música do lugar quanto sempre. Tudo estava igual… Menos os olhos.
            Ela se orgulhava de conseguir enganar qualquer um, mas comigo era diferente, bastava olhar nos olhos dela para lê-la como um livro infantil. Mais imagens do que palavras e sem significados ocultos. Ela contou uma meia duzia de mentiras e eu não acreditei. Foi como a gente se conheceu, foi quando o amor apareceu nos olhos dela.
            Quando me falavam dela diziam que ela não prestava, que tinha namorados e amigos quase como um material descartável. “Ela se cansa rápido das pessoas”, me diziam, “Relacionamentos já nascem com prazo de validade, qualquer dia eu descubro qual o prazo do nosso”, me dizia ela. Eu sabia que ela não estava mentindo.
            Antes dela minha vida não tinha muita cor, nem cheiro e nem sabor. A mudança não demorou. Com ela vieram todas as cores, odores desconhecidos e sabores fortes, doces e amargos. Principalmente os amargos. Amargo de travar na garganta, de deixar careta depois de passar. Melhor do que qualquer doce que eu já provei. “Não seja tão doce, doce demais   qenjoa”, ela dizia de mim, mas eu nem ligava. Talvez fosse disso que ela realmente gostava, de ter alguém menos amargo, com gosto mais fraco e que não desafiava o paladar… Mas houve um dia, me lembro como se fosse agora, quando ela me olhou e nos olhos dela não havia nada para mim. Nem amor, nem mentiras.
            Hoje estamos aqui. Juntos. Mas não vejo mais amor nos olhos dela. Talvez ela não queira admitir. Se recusa a reconhecer o corpo inerte do amor que ela um dia teve por mim. Quem sabe ela conseguiu se enganar de tal maneira que ficou impossível perceber o pobre sentimento morto estirado na nossa frente... No final não importa se ela não sabe ou finge não saber. Eu sei. Acabou. O amor dela morreu.

* * *

           O amor dele parecia infinito. Os olhos atentos aos meu gestos me deixavam nervosa. Eu tentava não fitá-lo. A música me incomodava, mas ele parecia gostar. Eu falava, falava tanto que parecia um monólogo. Apenas meus olhos podiam me denunciar. Nunca entendi bem de amores infinitos.
            Era estranho agora, ele tinha a certeza de me conhecer bem, mas eu sempre fora boa em enganar. Nunca gostei de ser lida nem adivinhada,. Eu falei qualquer coisa e ele riu, como se em nada acreditasse. Nunca entendi de credibilidade, mas gostei daquele riso doce. Curioso é que pra ele eu quase não mentia, não via muita razão. Embora ele me cansasse como todos os outros, acabou se mostrando uma companhia muito melhor do que o esperado. As pessoas diziam horrores sobre mim e ele ria, sempre ria. Nunca desejei nada a longo prazo, e nisso ele acreditava. Amor só dura o tempo que durar, um ano, um mês, um dia. Com ele durou um pouco mais.
            Causei alguns estragos, eu sei. "Doce demais" eu lhe dizia, a vida dele parecia morna e não havia alegria. Então eu cheguei feito um estrondo, como na musica que ele ouvia pra lembrar de mim. Invadi  sem discrição, eu o fiz rir e chorar, mas ele continuou suave, risonho, amoroso. Eu sabia que era intensa, ardente, por vezes assustadora. Rasguei sua poesia com unhas fortes e afiadas, deixei que se inebriasse de mim como um veneno viciante. Ria de suas pequenas trapalhadas, causava certo mal por mero prazer, mas gostava desse sabor que era ele, diferente de tudo que travava na minha garganta ele me descia fácil. Era quase como se pudesse ser eterno. Só que nunca me interessei por eternidade. Um dia olhei nos olhos dele e em mim não havia nada.
            Hoje estamos juntos aqui, eu olho pra ele e tudo o que eu nunca soube, mas tentei entender, se estende diante de nós. Um sentimento curvado que eu bem sei como é. Difícil é admitir. No fundo eu sei que ele sabe. O meu amor acabou.


(A música citada no texto é essa aqui )

Links dos demais textos com o mesmo tema:

Leca Lichacovsck Não acredito em amores finitos

Jeessy Batista


Cíntia Gomes Você não sabe o que é amor


Juliane Rodrigues Poucos parágrafos e um fim.


2 de set. de 2015

Sobre Saudade




Saudade, já dizia Clarice Lispector, é um dos sentimentos mais urgentes que existem.
É dos sentires que tiram o ar, que tiram o senso, que doem fisicamente, mesmo sendo sentimento.
Porque a vida é assim, mar aberto, estrada larga, e a gente vai vivendo. 
Vai seguindo, nem dá mesmo para parar, é sempre um curso constante, um caminhar de passos rápidos.
E um dia no meio disso tudo, a gente olha de lado, vislumbra um vulto cheio de amor do que viveu e se deixa pegar na tal saudade.
São momentos da infância quando o dia acabava em balas dadinho.
São os risos adolescentes e a descoberta de si mesmo.
São os 18 anos e o peito cheio de certeza.
São os anos vividos desejosos de um futuro que não se define.
São os amores, os vividos, os sentidos, os escondidos, os escolhidos e os perdidos.
E assim, no meio da saudade, você descobre que toda forma de amor vale a pena.
A gente lembra das coisas que viveu, de tudo o que sentiu e se vê como num filme, olhando de longe, mas olhando de dentro. 
E vez por outra fica assim, tomado dessa coisa que arde o peito, que reaviva a memória, que faz gente chorar e rir e rir e chorar tudo junto, meio maluco.
A vida não acontece linear e a gente vai em frente, canta as canções que aprendeu por anos, e cada uma diz uma coisa. E a gente sente falta dos amigos, da comida da mãe, até do medo que sentia do pai. A coisa ferve, vem lá a falta dos irmãos, do amor, de mais tempo que a gente não teve pra fazer tudo.
Daí a gente chora um pouco, quer viver um pouco disso tudo que faz bem a alma, e a vida continua seguindo seu próprio ritmo, sem texto nem regra.
E um dia, quando a gente acerta o passo com a tal vida, numa noite de quarta-feira, senta em frente o computador com uma boa taça de vinho e deixa a saudade acontecer.
Deixa o peito morno dessas cenas doces e urgentes de serem lembradas. Abre um sorriso largo, pois saudade também é conforto, também é história, também é vida. 
E vem a falta do agora. Do hoje, do café com a mãe, do riso dos filhos, dos abraços dos amigos, do beijo do amor.
Sim, Clarice estava coberta de razão. Saudade é um dos sentimentos mais urgentes que existem!


OBS: Essa é uma postagem coletiva do projeto literário Escritores da Era do Compartilhamento.
abaixo links dos demais participantes desse tema. Leia a vontade e venha nos conhecer.

Tatiane Argenta
https://www.facebook.com/tatiiargenta/photos/a.1396135604032878.1073741828.1396097807369991/1494083840904720/?type=1&permPage=1

Leca Lichacovski
 http://www.cerejanoombro.com/.../queria-te-guardar-em-mim/

Sâmela Faria
http://www.escriturasdaalma.com.br/.../a-saudade-e-uma...

 Jô  Lima
https://www.facebook.com/EscritoraJoLima/photos/a.440406796007173.98306.440398222674697/998472943533886/?type=1&permPage=1

Nathalia Moraes
http://nathaliamoraes.blogspot.com.br/.../eu-sempre...

Juliane Rodrigues
http://julianelrodriguess.blogspot.com.br/.../de-repente...

Taminhe C. Engler
http://vidaitinerante.com.br/11-graus-de-frio-e-saudade/

Taciana C. G. Gaideski
https://www.facebook.com/tacianagaideski/photos/a.1572009059745115.1073741828.1571606996451988/1623093177970036/?type=1&theater

Maria Fernanda Probst
http://www.fernandaprobst.com.br/.../tatuei-voce-na-pele...

Cristina Souza
http://coffeeismyboyfriend.blogspot.com.br/.../devaneios...

Pâmela Marques
http://www.pe-da-cos.blogspot.com.br/.../traduzo-saudade...

Fábio Chap
https://www.facebook.com/chapfabio/posts/715440491933635

Joany Talon
http://manuscritojtalon.blogspot.com.br/.../post-coletivo...

Valter  Junior
http://putaletra.com.br/.../saudade-e-aquilo-que-fica.../

Tayane Sanschri
  http://tayanesanschriescritora.blogspot.com.br/.../por-do..

Layna Diaz
https://www.facebook.com/VallenttinaBook/photos/a.258996780945489.1073741830.168721719972996/510195255825639/?type=1

Fernando Suhet
https://www.facebook.com/mundoescritofs/photos/a.1581713435425576.1073741829.1575289079401345/1618563355073917/?type=1&theater

Cíntia Gomes
http://www.lentrel.com.br/.../de-cama-vazia-e-coracao...

Allison Chistian
http://www.historiasquenuncavivi.com/.../aquele-adeus-que...







12 de ago. de 2008

E se não houvesse amanhã...


Eu percebi hoje, que minha vida necessita ter um amanhã.

Eu sempre digo a todos, que devem viver o hoje. E pronto. Mas hoje, percebi que sem amanhã não tem porque fazer nada. Afinal se não vai haver amanhã a gente pode parar agora mesmo...

Acabei de machucar alguém a quem amo demais, e isso me fez repensar que tipo de pessoa eu sou. Minha siceridade ( por vezes ferina) é qualidade ou defeito???

Eu preciso enxegar o hoje visando o amanhã, mas estou perdida entre sentimentos e não consigo visualizar.

Mania de gente burra deixar a felicidade escapar por entre os dedos... ou pior... dizer que não esta pronto pra ser feliz.

Hoje ( agora ja ontem) eu resgatei um pouco mais de mim... Engraçado como quando a gente passa a se buscar as coisas e pessoas vão encontrando a gente. Ontem revi a Ana, minha amiga de longa data. A Ana é minha amiga, minha tarologa, minha acupunturita, minha terapeuta, minha massagista... A gente se afastou muito e perdi tudo isso aí de uma vez... O motivo ( se é que houve) não deveria ser forte o bastante, mas eu precisava me achar e ela sabia muito de mim, então nos reencontramos.

Ontem também por mero acaso (???) outra amiga, que deve saber mais de mim do que eu mesma me ligou, de londres, coisa de louco porque ela fala mal o portugues e eu falo péssimo o ingles, ainda assim a comunicação existe... Quando a gente se busca de verdade as pessoas e as coisas das quais precisamos vão nos saltando os olhos... Ontem ainda encontrei uma pessoa que não posso chamar de amiga, nem de inimiga... alguem de quem não gosto nem desgosto, mas que de alguma forma influenciou minha vida na perda avassaladora do eu mesmo, e ela também foi encontrada. Eu realmente precisava disso. Tinha a impressão que tinha ojeriza dessa pessoa, e quão feliz fiquei ao saber que não sinto nada!!!!

Aprendi que quando a gente se perde e tenta se reencontrar o caminho é arduo, longo e bastante dolorido.

A gente se machuca muito, a acaba machucando também, e talvez essa seja a parte mais dolorida desse caminho.


Aviso aos leitores de plantão que talvez eu delete esse blog... nesse momento ele perdeu o seu sentido. mas como ando mudando de ideia a cada meia hora... Já não posso prometer nada a ninguém.


É, meus caros, " Viver é uma arte/ mas é preciso cuidado"; e acho que andei me descuidando de uma coisa de suma importância... Eu mesmo!

Conselho Gratuito: JAMAIS DEIXEM DE SER SUA MAIOR PRIORIDADE!!!


Amor eterno

Beijos na alma