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18 de out de 2010

Sobre uma fatidica realidade.



(Imagem by Google)


Ela acordou e encarou-se no espelho. Estava apreensiva, coração acelerado, uma incerteza de pensamentos.
Olhava seu reflexo estudando os próprios traços.
Naquela manhã fria e acinzentada, ela se odiava!
Sua vida estava tão revirada quanto letras na sopa de letrinhas, tão apreciada, na infância. Fazia suas as frustrações alheias, carregava dentro de si uma náusea de sentir. E doía.
Lembrou de dias passados, quando suas mãos foram comparadas a outras mãos, que de algum modo ela odiava tanto quanto odiava essa incerteza em seu coração.
Sentiu-se triste, profundamente triste. Dessas tristezas tão intensas que não nos permite chorar. Sua alma fragmentava-se, sentia todas as dores de um parto, um parto de angustias suas e alheias...
Podia sentir pena de si mesma, não seria vergonhoso, ela estava só; tão só que se gritasse com toda sua força, talvez ela mesma fosse incapaz de ouvir.
Mas não sentiu a pena que precisava sentir... e seu reflexo continuava lá, a olhar de volta pra ela, a desejar encontra-la, quando nem ela sabia onde estava, tão dentro de suas tristezas se encontrava.
Viu-se em escamas. Camadas e mais camadas doloridas de escamas fazendo-se de defesa.
Ela quis chorar!
Mas estava tão seco dentro dela, que não houve uma única lágrima forte o bastante para transpor as barreiras de sua tristeza, e fazer um caminho suave pelas escamas de seu rosto.
O caminho era então uma incógnita, aflitiva e conflitante.
Ela não ousava dar um passo. Podia perder-se muito mais. Sua única fonte de orientação, era a imagem gélida no espelho a encara-la sem piedade.
Naquela manhã, pensar era penar. E era um fardo...
Ela ansiava esconder-se um pouco, aconchegar-se onde houvessem braços para abraça-la, ainda que por um breve segundo.
Sentiu-se um pedaço de afeto, vagando solto em seu universo particular.
Num ato, para ela, heróico. olhou-se uma última vez tentando não sentir raiva de si mesma, nem de onde estava, nem de como havia chegado lá. Olhou-se por um último instante, avaliou a tez cansada, as mexas nos cabelos, olhou as mãos, as unhas pintadas de sangue, e saiu.
Atrás de si fez-se o silêncio e a imagem no espelho desvaneceu...
Era hora de recomeçar!!!


Amor à todos
Beijos na alma.

12 de out de 2010

Sobre os últimos sentimentos



Há momentos onde uma onda tão grande de sentimentos nos invadem, que o ar foge dos pulmões, a boca seca, a cabeça gira e não resta sensações de lucidez.
Ando zangada! Decepcionada.
Não sinto conforto por onde ando,. É como se não houvesse um lugar que me coubesse. O seio familiar não conforta, inexiste, fere, ofende.
Existe um lugar que preciso pra sobreviver, um espaço meu, mas me sinto impedida de alcança-lo.
Fragilidade, raiva, medo insegurança... isso tudo tem me devorado a alma.
É como se eu não coubesse para todos os papéis que me foram delegados... Quero silêncio, mas somente eu  faço... O resto do mundo, tenho a impressão, permanece aos gritos.
As vezes tenho raiva.
Todos os acontecimentos, o trabalho, a família, alguns amigos... tudo me aborreceu tanto.
Sinto raiva dos que me cobram, dos que me julgam. Por vezes acho que não vou conseguir lidar, não apenas com as situações que me entristecem, mas com a sensação (infinitamente desconfortável) que me cerca.
E me sinto estranha por isso.
Sei que estou divagando um pouco, mas não sinto as palavras se estabelecerem em mim com clareza, no entanto elas precisam sair de dentro de mim.
Me lembro dos momentos de infância, onde havia a certeza, ainda que só minha, de plenitude e segurança, coisas que quando a gente cresce, perde...
Mas crescer é necessário, mesmo sendo dolorido...
Ando desacreditando dos "sentires".
Ando nauseada com atitudes, cobranças, julgamentos, falta de respeito... e, pior, é só o que tenho visto por aí.
Enfim, não tenho certeza de futuro, aliás de nada sei... E nem sempre sei o que fazer, mas o que NÃO  fazer, com certeza eu já aprendi.


Amor à todos
Beijos na alma

7 de out de 2010

Recomeçando....


Bem, aves raras, tenho tido tempo de sobra.... então decidi fazer com ele uma das coisas que mais amo.
Escrever!!
Escrever sobre tudo e de tudo. Sendo assim,  reativei o "Gente de Estilo", pra falar um pouquinho dessa coisa que move valores, move amores e a gente se derrete, que estilo de moda.
E de quebra, Criei o " Minha dica".
Sendo eu apaixonada por São Paulo, e sabendo que nessa cidade explendida, acontece de tudo, para todos os gostos, idades e bolsos... Resolvi dar umas dicas por aí...
Espero que vocês também apreciem, visitem, gostem e comentem todos os temas!!!!


Amor à todos
Beijos na alma

1 de out de 2010

Sobre frustrações e expectativas. Os outros pagam nossos medos...

Imagem: by google


Engraçado ( ou não...) como temos o terrível hábito de jogar nossas frustrações passadas em nossos passos futuros, a gente se acostuma a criar expectativas em cima das coisas vividas e deixa de viver as coisas de verdade...
Ontem eu estava conversando com uma amiga sobre relacionamentos.
Ela sempre me diz que não quer se envolver, mas nunca ouvi ela falar sobre a possibilidade da outra pessoa também não querer se envolver...
Eu acredito que os medos dela, as frustrações sejam a principal razão dessa frase, embora, eu também acredite que dentro dela, lá no fundo, seja diferente. Mas achismos não levam a nada.
Inevitavelmente eu penso em mim mesma, nas minhas frustrações, expectativas, e no quanto me disponho a me envolver, me entregar.
Há alguns anos me relacionei com uma pessoa, eu estava ali, inteira, plena, pronta pro que der e vier, mas a reciproca não existia, uma vez que essa pessoa vinha com marcas profundas e decepções de outra relação. Eu ficava lá, atenta a todas as palavras, tentando suprir todas as necessidades, dando espaço e liberdade, convivendo com a inconstância de pensamentos e sentimentos. Até que um dia, todo o meu esforço rendeu-me um belo pé na bunda.
Essa coisa toda de amar é complicado...
Quando tudo começou a ruir, eu me perdi também. Comecei a ficar frustrada, cheia de medos e desconfiança e fazer uma besteira depois da outra. Até que decidi que não valia a pena e era hora de recomeçar.
Depois de um tempo comecei um outro relacionamento com um anjo, em aparência e paciência comigo.
Mas eu era a louca da vez.
Joguei nesse relacionamento toda a minha frustração, e claro que sem saber nada, da minha historia, essa pessoa tentava desesperadamente me agradar, mas eu sempre revidava, pois eu tinha medo de me decepcionar de novo. Claro que não durou!!
Respirei fundo, avaliei minhas atitudes, me dei um tempo pra sanar a loucura e deixei a vida decidir o próximo passo, mal sabia eu...
Acabei conhecendo outra pessoa, e (amenizadas expectativas e frustrações) achei que seria ali!
Mas ali havia uma historia muito longa de casos desfeitos, frustrações e decepções, e tenho certeza que nesse ponto dá pra saber o resto da história.
Algumas vezes a gente nem tem o direito de errar por nós mesmos, por que alguém, antes, já mentiu, já gritou, ja fez qualquer coisa... Por vezes somos, somente, a cópia. Não basta errar, temos que responder pela pessoa que veio antes e, fatidicamente, cometeu o mesmo erro.
Como saí mais quebrada do que das outras vezes, tomei uma decisão! Não me apaixono mais!!
Seria engraçado a ideia infantil que tive, não fosse seu tom ridículo. Mas eu realmente tinha medo.
Na última vez eu estava plena, queria mesmo, me entreguei, e acabei atingindo todas as expectativas, só que não eram boas.
E foi aqui que eu fiz a grande descoberta!! Nós criamos expectativas, não do que pode ser; mas de como pode NÃO ser, pois já vivemos aquilo e não foi bom... Nós ficamos frustrados com o que passou e simplesmente jogamos essa frustração para adiante, esperando o momento em que a outra pessoa vai fazer aquilo que nos magoou antes. Nunca passa por nossas cabeças, conversar francamente, abrir o coração de verdade e dizer o que esperamos.
É tão mais fácil esperar que o outro cometa o erro que "sabemos" que vai cometer, é mais fácil julgar e apontar os erros.
Por sorte a vida, muito  mais sabia que eu, acabou me lançando em um grande desafio. E esse desafio era ter um relacionamento tranquilo, que fosse baseado em verdade, em sinceridade, e eu contei tudo!!! falei do medos, das frustrações, dos meus erros, das minhas promessas e do meu medo delas...
Resultado: Algo inteiro, bom, verdadeiro.
Eu duvidei e já tive certeza de tudo o que eu sinto. Tirei a "prova dos 9"; precisava saber que me sentia como me sentia e que não estava gerando uma nova insanidade de sentimentos.
Sentei, falei, chorei, ri, abri segredos, me apaixonei!
Descobri que é mais fácil quando você fala do que magoou e não fica esperando a outra pessoa te magoar também.

Ser infeliz é muito fácil, mas eu mereço mais!
Ainda pago por frustrações alheias, mas a vida não é perfeita... Tudo a seu tempo!!!


Amor à todos.
Beijos n alma.