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1 de ago de 2008

loin des yeux, dans du coeur....


Eu queria, hoje, postar alguma coisa bem legal... Mas não deu...

Me sinto muito solitária, pois a vida, ciclica como é, me levou de volta á um ponto que me causa dor. Tentei preces ao meu anjo... mas anjos também dormem.

A gente nunca sabe se é bom o bastante para o outro, e um dia percebe que não é...

Eu agora, ando bem preocupada comigo mesma, talvez possa parecer egoísmo, mas quem conhece minha história, toda ela, vai achar que é apenas justo.

Gente é muito voluvel... basta uma ligação no meio da noite para gente se perder um pouco. Difícil administrar sentimentos mal resolvidos... Difícil administrar a gente mesmo.

Eu estava bem!! estava tudo bem, e aí uma palavrinha veio de longe no meio do nada e me desastabilizou. Temporario, tenho certeza!! Mas real...

Amanhã quando acordar depois das lágrimas da noite... dou outro passo!!

Deixo uma poesia aí, que adoro... que fala um pouco de mim e de como me sinto...


Metade (Oswaldo Montenegro)


Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
porque metade de mim é o que eu grito
mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher que amo seja pra sempre amada
mesmo que distante
porque metade de mim é partida
mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimentos
porque metade de mim é o que ouço
mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que eu mereço
e que essa tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita em meu rosto num doce sorriso
que eu me lembro ter dado na infância
porque metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o teu silêncio me fale cada vez mais
porque metade de mim é abrigo
mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
mesmo que ela não saiba
e que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
porque metade de mim é amor
e a outra metade também.



Beijos na alma

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