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29 de jan de 2009

Lágrimas de saudades.


O tempo de encarar a morte...
Quando a minha querida amiga Jéssica faleceu ano passado, eu não acreditei. Até hoje, não consigo acreditar que ela não esteja mais em vida com toda aquela alegria de viver... De algum modo tenho a impressão que hora ou outra ela entrará pela minha porta, me dando bronca pela bagunça na casa (como boa ariana que era...), reclamando um pouco da vida e com aquele alto-astral só dela.
De qualquer modo não tive um contato verdadeiro. Recebi um telefonema triste me avisando, mas não a vi, não vi a tristeza dos parentes e amigos.
Tenho sempre a impressão de que ela vai voltar, que vai ligar...
Mas a vida é mesmo coisa muito frágil e sei que isso não vai acontecer, embora minha mente teime em não acreditar.
Quando meu amigo Otta morreu, também no ano passado, eu estava em um momento tão dificil da minha vida, que passei meio por cima de tudo, como expectadora. Não fui ao enterro, não o vi. Me pareceu irreal também, embora não me tivesse deixado a mesma sensação da Jéssica...
E hoje, me deparei com ela ( a morte) de novo.
Hoje foi alguém que eu não conhecia, mas que me fez pensar na eminência da minha própria morte...
Pensei que posso morrer sem ter feito tudo o que planejava...
Eu ainda não fui a Patagônia, não escrevi meu livro, nem compus uma canção para o meu grande amor.
Eu não formei meus filhos, não pulei de paraquedas, não adotei uma criança.
Eu não disse a todos os que amo, que os amo! Nem pedi perdão, nem sequer perdoei quem me feriu...
Eu não fui ver o Sirio de Nazaré e não cuidei de quem precisava...
Tem muitas coisas que eu não fiz...
Então percebi que não é com a eminência da morte que devo me preocupar, ela é um fato. Mas sim com a eminência da vida.
Decidi que é preciso viver melhor à cada instante, porque sempre pensei na morte como um presente. Um repouso merecido àqueles que muito batalharam, que muito evoluiram e que mais mereceram.
Quero, então, permanecer com esse pensamento em mim, e mais que pensamento, quero no momento certo que seja assim, esse presente seja pra mim também.
Percebo que as dores sentidas quando alguém que amamos vai embora pra sempre, são mais intensas que as dores que sentimos por amores acabos, casos mal resolvidos, problemas graves, brigas intensas...
O triste é perceber que quem partiu já foi tarde...
Bom, é saber que quem partiu deixou saudades... deixou boas lembranças... deixou grandes lições...
É difícil, mas necessário saber que a vida acontece não como queremos, mas sim como precisamos, E no devido instante, quando não mais precisarmos, ela finaliza. Sozinha, naturalmente.
Hoje esse post tem uma pontinha de tristeza, porque sei que tem alguém muito triste porque perdeu outro alguém.



Um beijo na alma

E, principalmente, para as almas ja idas mas que ensinaram algumas lições!

Um comentário:

Nathalya disse...

Oh Lindeza de menina!! Esse seu coração é mesmo pura poesia, não sei quem foi dessa vez, mas certamente descansa em paz com esse seu post que mais é uma prece.
Também me peguei a pensar em minha vida, e vejo que é hora de começar a fazer!
Oh alegria ter te conhecido assim, menina, sentimento. Tanto, tanto te gosto e te admiro quem nem da pra falar, viu?
Saudades
Beijos