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3 de mar de 2011

Atualizando

(Imagem by Google)

Sumi de novo...

Estou me débito com todos meus leitores e amigos...
Ai, de repente, (do jeito que a vida é comigo) tudo acontece... Ontem recebi um texto da Thais Stella, do "dia do coringa",escrito pelo Rubem Braga com o titulo "Ao respeitável publico".
Me toquei que era uma indireta.
Então aqui estou contando de tudo um pouco.

Só da pra justificar minha distância, como um ( nada singelo) TA FODA!!

Vou fazer um resumo retrospectivo, pra não parecer que estou falando sem muito nexo.

No final de 2010, minha vida era sinonimo de loucura. Estava trabalhando 14 horas por dia e passando noites sentada na cadeira de plástico do hospital, onde minha mãe estava internada.
Hospital publico, quarto compartilhado... O acompanhante dorme como? Não dorme!!! Cochila sentado em uma cadeira de plástico.
Antes do Natal, minha mãe voltou pra graça, e eu fui para um  mundo além mundo, dentro de mim, mas fora do universo.
O cansaço físico, mental e espiritual me abateu!
Então, aves raras, essa "fortaleza" que vos escreve, tombou um pouquinho.

Muitas lágrimas depois, resolvi me dar um tempo. Nada de nada, nem visitas, nem saídas, badalações fora do cardápio... A ideia era ficar só comigo mesma.
Me deixei, então, sentir todo o cansaço dos dias vividos por osmose, deixei tristeza penderem pelos dias vividos em catarse.
Chorei em voz alta minhas fraquezas e frustrações e silenciei.
Nunca estive tão só.
E por isso precisei desse momento.
Como não havia muitos com quem falar, preciso deixar minha gratidão ao que estavam lá, e me ouviram, quando eu simplesmente não falei nada... Anselmo, Renata, Sheine.

Confesso, que mesmo agora, um tempo depois tudo continua difícil e dolorido. Esta vida de hospital é mesmo ingrato ao ser humano que anseia viver plenamente.
As vezes penso que o câncer vai vencer... E sinto muita raiva da minha impotência.
Outras vezes acho que minha mãe vai superar tudo e todos.
E, há ainda os momentos, em que penso que a única que não vai aguentar sou eu...

Toda aquela ânsia pelo ano novo continua em mim. Admito, que de vez em quando um desanimo tenta se fazer companheiro. Mas eu continuo em pé.
Outro dia num surto de desespero, após outra ida ao hospital, falei para um amigo, que ninguém deveria sofrer assim, melhor seria que tudo passasse de uma vez.
Não sei se me arrependi da frase, ou se passei a crer nela, e isso me deixa entristecida, com a alma trincada de dor, por não poder fazer nada de pratico.

Olho minha mãe e vejo nela o resultado da doença.
Aquela mulher forte, grande, com vasta cabeleira, alta de voz potente, tornou-se uma fragilissima senhora, que balbucia palavras que precisam de atenção para serem ouvidas, ossos a mostra sob a pele, e agora ela é do meu tamanha, se não menor que eu.
E ainda, assim, é a pessoa mais forte que já vi.

Eu sei que as vezes ela chora escondida, mas não perde a fé.
Quer a cura, mas pede para que seja feito apenas o melhor.
E mesmo sendo ela a acamada, costuma dizer que vamos vê-la dançar um xaxado, após comer um prato enorme de feijoada.

Meu carinho, minha admiração, meu amor cresceram tanto, ela nem pode saber.
E mesmo após todas as magoas do ultimo  ano, só quero vê-la reclamar outra vez da bagunça que vê por ai.

É... contar como isso fica dentro de mim é uma das coisas mais difíceis que já tentei, Acho que por isso, também, fiquei um pouco longe de desnudar minha alma.
E como o somatismo vive em mim, febre, alergia hepidermica, queda de cabelo, menstruação desregulada, ataque de choro, se tornaram formas de extravasar.

De qualquer modo, sendo eu uma daquelas pessoas que irritam com sua positividade diante de tudo. Vou aprendendo as lições, nada fáceis, que vão sendo distribuídas pelo caminho.
Continuo com metas traçadas, planos em execução e o coração cheio de esperança, que realmente, é a ultima que morre!
Vou revendo meus conceitos, meus limites, tendo a certeza dos verdadeiros amigos, recriando ideais e descobrindo minha própria força, ou a falta dela.

E vou deixando meus obrigadas...

E só tenho a dizer:

A Rita: Sem você, eu não conseguiria!!!
Ao Anselmo e Eder: Vocês são do caralho!!! Os mais fiéis escudeiros do mundo.
A Renata e Sheine: Cada palavra vira musica, quando dita por vocês.
Aos filhos: Cada abraço, cada xícara de café, cada cafuné na cabeça me dá nova vida.
A Lidi ( minha irmã mais nova): Quando eu crescer, quero ser como você!!



Amor à todos

Beijos na alma

2 comentários:

Silvia Badim disse...

Coisa difícil se desnudar. aquela nudez de revelar a alma. não é para muitos. mas, sem dúvida, é um caminho de grandes aprendizados interiores. e grandes aprendizados de mundo!
Que bom que está no estranhas entranhas! Sinta-se uma estranha muitíssimo bem vinda.
Beijos

Meu Maior Projeto disse...

Minha amada Malia, qto amor sinto por vc, qto vejo sua alma linda, nua ou vestida, chorosa mas com um sorriso no rosto, sofrida, mas com um abraço para confortar.

Vc é uma luz, uma benção. Estou sempre com vc, longe ou perto.
Rezo por sua mamys.

Bjos no coração