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2 de set. de 2015

Sobre Saudade




Saudade, já dizia Clarice Lispector, é um dos sentimentos mais urgentes que existem.
É dos sentires que tiram o ar, que tiram o senso, que doem fisicamente, mesmo sendo sentimento.
Porque a vida é assim, mar aberto, estrada larga, e a gente vai vivendo. 
Vai seguindo, nem dá mesmo para parar, é sempre um curso constante, um caminhar de passos rápidos.
E um dia no meio disso tudo, a gente olha de lado, vislumbra um vulto cheio de amor do que viveu e se deixa pegar na tal saudade.
São momentos da infância quando o dia acabava em balas dadinho.
São os risos adolescentes e a descoberta de si mesmo.
São os 18 anos e o peito cheio de certeza.
São os anos vividos desejosos de um futuro que não se define.
São os amores, os vividos, os sentidos, os escondidos, os escolhidos e os perdidos.
E assim, no meio da saudade, você descobre que toda forma de amor vale a pena.
A gente lembra das coisas que viveu, de tudo o que sentiu e se vê como num filme, olhando de longe, mas olhando de dentro. 
E vez por outra fica assim, tomado dessa coisa que arde o peito, que reaviva a memória, que faz gente chorar e rir e rir e chorar tudo junto, meio maluco.
A vida não acontece linear e a gente vai em frente, canta as canções que aprendeu por anos, e cada uma diz uma coisa. E a gente sente falta dos amigos, da comida da mãe, até do medo que sentia do pai. A coisa ferve, vem lá a falta dos irmãos, do amor, de mais tempo que a gente não teve pra fazer tudo.
Daí a gente chora um pouco, quer viver um pouco disso tudo que faz bem a alma, e a vida continua seguindo seu próprio ritmo, sem texto nem regra.
E um dia, quando a gente acerta o passo com a tal vida, numa noite de quarta-feira, senta em frente o computador com uma boa taça de vinho e deixa a saudade acontecer.
Deixa o peito morno dessas cenas doces e urgentes de serem lembradas. Abre um sorriso largo, pois saudade também é conforto, também é história, também é vida. 
E vem a falta do agora. Do hoje, do café com a mãe, do riso dos filhos, dos abraços dos amigos, do beijo do amor.
Sim, Clarice estava coberta de razão. Saudade é um dos sentimentos mais urgentes que existem!


OBS: Essa é uma postagem coletiva do projeto literário Escritores da Era do Compartilhamento.
abaixo links dos demais participantes desse tema. Leia a vontade e venha nos conhecer.

Tatiane Argenta
https://www.facebook.com/tatiiargenta/photos/a.1396135604032878.1073741828.1396097807369991/1494083840904720/?type=1&permPage=1

Leca Lichacovski
 http://www.cerejanoombro.com/.../queria-te-guardar-em-mim/

Sâmela Faria
http://www.escriturasdaalma.com.br/.../a-saudade-e-uma...

 Jô  Lima
https://www.facebook.com/EscritoraJoLima/photos/a.440406796007173.98306.440398222674697/998472943533886/?type=1&permPage=1

Nathalia Moraes
http://nathaliamoraes.blogspot.com.br/.../eu-sempre...

Juliane Rodrigues
http://julianelrodriguess.blogspot.com.br/.../de-repente...

Taminhe C. Engler
http://vidaitinerante.com.br/11-graus-de-frio-e-saudade/

Taciana C. G. Gaideski
https://www.facebook.com/tacianagaideski/photos/a.1572009059745115.1073741828.1571606996451988/1623093177970036/?type=1&theater

Maria Fernanda Probst
http://www.fernandaprobst.com.br/.../tatuei-voce-na-pele...

Cristina Souza
http://coffeeismyboyfriend.blogspot.com.br/.../devaneios...

Pâmela Marques
http://www.pe-da-cos.blogspot.com.br/.../traduzo-saudade...

Fábio Chap
https://www.facebook.com/chapfabio/posts/715440491933635

Joany Talon
http://manuscritojtalon.blogspot.com.br/.../post-coletivo...

Valter  Junior
http://putaletra.com.br/.../saudade-e-aquilo-que-fica.../

Tayane Sanschri
  http://tayanesanschriescritora.blogspot.com.br/.../por-do..

Layna Diaz
https://www.facebook.com/VallenttinaBook/photos/a.258996780945489.1073741830.168721719972996/510195255825639/?type=1

Fernando Suhet
https://www.facebook.com/mundoescritofs/photos/a.1581713435425576.1073741829.1575289079401345/1618563355073917/?type=1&theater

Cíntia Gomes
http://www.lentrel.com.br/.../de-cama-vazia-e-coracao...

Allison Chistian
http://www.historiasquenuncavivi.com/.../aquele-adeus-que...







1 de set. de 2015

Ele, Clarice e Fim





Clarice era o nome que lhe comia a alma. Devorava-lhe a calma e o entorpecia de vez em quando. Clarice! Ele jamais esqueceria.
Clarice tinha olhos claros, de um verde profundo e provocante e um jeito de olhar que destruía as certezas de quem a ousava encarar.
Ela era toda amor em seu sorriso largo por trás dos lábios, displicentemente, desenhados.
Clarice era toques por suas mãos languidas de unhas bem aparadas, com sua pele branca, mãos suaves e bem desenhadas.
Ela era, ainda, a lembrança que lhe atordoava o senso e tomava de si o ar dos pulmões.
Clarice…
E ele?
Ele existia. Era o lembrador dela. Era quem a mantinha intacta em sua breve existência de sentimentos.
Não, ele não tinha os olhos claros como os dela, ao contrário, possuía olhos escuros como a noite sem luar.
Seu sorriso embora farto por trás dos lábios carnudos, não se fazia grande como o acaso labial de Clarice.
Nem sua pele tinha a mesma alvura; a dele carregava manchas de sol e ansiedade.
Ele era só ele, e nada além
Ele sentia, somente. E em seu sentir vezes amava e vezes odiava Clarice; simplesmente por que ela estava lá. Existia dentro dele, a revelia de seu querer.
E ele era quem sabia Clarice.
Adivinhava as pequenas mentiras, sabia as necessidades, via a saudade… Ele sabia sobre ela.
Clarice dizia que eram destinos. Ele dizia que era nada.
Casaram-se uma vez, por acaso, entre lençóis e esperanças. Mas ele não ficou. Ele queria o mundo, ele queria o mar.
Ele queria ir aonde ela não podia estar.
E ela? Ela sofreu.
Jurou amor, jurou ódio, jurou vingança.  Chorou, implorou e escarneceu. Gritou, chutou e cuspiu-lhe na cara.
E houve um grande silêncio.
Ele jamais pode ama-la, e jamais pode esquecê-la.
E agora caminham assim. Ela todo amor e dor; ele seu lembrador. Eis o Fim.


Texto meu, originalmente publicado em http://rodadeescritores.com.br/2015/03/26/mariah-alcantara/ele-clarice-e-fim/

26 de ago. de 2015

Sobre culpa ou amor







E ela me perguntou qual o peso da culpa que eu carregava nos braços?
E eu não carregava culpa. Não tinha peso. Não tinha nada.
O que eu carregava era um sentimento maior, morno, que me confortava. Carregava a alegria por vê-la sorrindo, carregava o tremor do corpo quando ela me envolvia em seus braços, carregava a lembrança dos nossos olhares enquanto ela me beijava, carregava a minha entrega a ela. Ainda que fosse naquele instante.
Não, eu não carregava culpa.
Tinha me despido desse peso, pois ele me impedia de amar. Me impediria de ama-la, inclusive; E eu queria ama-la. Eu não a queria pra mim, mas a queria minha. Ainda que fosse naquele instante, naquele beijo, naquele abraço, naquele desejo.
Não, eu não podia pensar em culpas quando ela me fazia feliz, quando ela vergava o corpo pra sentir minha pele junto a dela.
Eu não sabia nada de culpas.
Nos meus braços eu carregava amores, cuidados. Carregava histórias, até lagrimas; E eu carregava escolhas. Muitas delas; algumas poéticas e outras nem tanto. Mas culpa?  Não, eu não sentia culpa. Eu carregava, também, alegria, afeto, carinho. Carregava desejo. Carregava acalanto, carregava até broncas. Ah, e cansaço. Eu carregava cansaço!
Carregava, ainda, sonhos e frustrações, carregava alegrias, e algumas decepções, carregava medo, saudade...
Carrego liberdade!
Mas culpa? Não.
A culpa eu deixo para quem tem.

E para vida deixo um beijo azul de completude, e que siga assim, muito e amiúde, eterna e ternamente.


Beijos na Alma

13 de abr. de 2015

Por ela.




Se eu dissesse que viver não dói, de vez em quando, seria mentira. E eu disse que não mentiria.
Então eu não podia dizer nada; mas lá no fundo ela me percebia. E que assustador ser vista assim, por quem por vezes desconheço, e mesmo assim me sabe tão bem.
E ela insistia que reparava em mim, e no começo eu não acreditei. Não que eu pensasse que era mentira, não mesmo. Só que achei que não era observação. Era um olhar apenas, desses que a gente derrama com certo carinho e nada mais.
E ela me deu medo.
Me deu pavor, na verdade!
Ela podia amar tanto quanto eu podia.
Ela podia se dedicar tanto quanto eu podia, até mais, eu acho. Porque eu já estava cansada da estrada e ela ainda tinha muito pra caminhar.
Um dia eu tive raiva dela. Sei lá, dessas raivas que a gente sente é quer agredir o outro de qualquer maneira, mas lá no fundo, a gente agride a gente mesmo... e daí eu falei. Falei mesmo.
Falei que estava cansada, atirei bem no meio da cara dela, um resumo do que eu já tinha passado.
Eu queria mesmo era que ela gritasse de volta, bem no meio da minha cara, que eu era esnobe, chata, e metida e sabe tudo.
Já pensou? Seria perfeito pra eu desistir dela. Fim, coisa rápida, quase indolor.
Mas ela me disse simplesmente que já tinha vivido o mesmo.
E eu a amei mais um pouco.
Ela me disse que eu não olhava pra certas pessoas pra não me ver refletida nelas, que eram minha “kriptonita”; eu ri alto. Alto mesmo. Desses risos frouxos carregados de certa loucura.
Minha kriptonita era ela.
Era por ela que meu poder falhava, assim como era ela que alimentava a minha força.
Era dela que eu precisava todos os dias. Uma palavra, um sorriso, qualquer coisa...
E então, eu olhei bem nos olhos dela, bem fixo mesmo, e cheguei bem perto do espelho e disse:
-Eu amo você!

A moça do reflexo sorriu. Estávamos prontas para vida e era só segunda-feira

28 de mar. de 2015

Texto especial!



Todo o meu carinho ao receber, esse presente da linda e querida amiga, Aline Xavier.


Na minha vida, gente Tem gente que está sempre presente. 
Tem gente que quase sempre está ausente. 
Tem gente que fica pouco, porém com presença. 
Tem gente que fica muito, com ausência.
Tem gente que por vezes está, tem gente que passa e se deixa levar. 
Tem gente que leva um pouco de mim, tem gente que deixa algo aqui e tem gente que chega e permanece. Porém, o mais importante é que sempre tem gente.



Sobre Aline Xavier
Ex-concurseira olímpica, amante da escrita e fascinada por relações humanas. Psicóloga para os amigos, não sabe o que fazer com a própria vida. Apaixonada por pessoas consideradas ovelhas negras, com as quais comumente se identifica. Atualmente funcionária pública, está na jornada em busca do seu propósito. Escreve sobre um pouco de tudo em alinexavier.me, no blog Superela e em facebook.com/alineandxavier.

4 de mar. de 2015

Bloqueio de sentires



(Imagem by Google)

E aí que eu decidi escrever muito nesse ano, e a primeira coisa que consigo é um bloqueio.
Seria cômico se não fosse trágico...
Um monte de concursos aí, eu querendo participar, mas não sai nada, uma linha, umazinha sequer.
Foi um parto escrever um conto ruim de 4 paginas.
Forçado mesmo.

Onde me perdi, não sei...
As palavras gastas e já tão iguais ficaram na estrada.
Talvez eu precise do silencio da madrugada, da luminária branca, uma boa escrivaninha e uma xícara de café.
Talvez me falte mais amor no coração.
Talvez me falte observar.
Não sei.
Apenas não saio do lugar. E são voltas e voltas, e vejo a letras virando tantas frases, sendo seguidas de perto pelo delete.
Eu, vã aspirante a escritora, já tendo bloqueios.
É sim. E, repito, seria trágico se não fosse cômico.
Tento escrever um texto e já penso, não gosto de segundas feiras.
Onde eu fiquei?
Em que ano ficou minha ordem?
Onde foi parar a escrivaninha branca e suas duas gavetas?
Cade as velas aromatizadas que perfumavam as gavetas?
Onde deixei a ordem das minhas roupas, dos meus livros?
Onde esta a ordem linear da minha mente?
Onde está a ordem do meu coração?
Hoje me vejo incapaz de escrever sobre essas machucaduras, coisas que a vida arruma, quando a gente se percebe vivendo...
Hoje me sinto incapaz de escrever sobre você.


Beijos na alma.

19 de fev. de 2015

Eu to voltando pra casa, outra vez.



Eu fui e voltei. É voltei sim!
Por um tempo não quis ver a história que me fez eu.
Por um tempo, estar nesse espaço não se parecia comigo, pois eu não estava mais tão nua, afinal.
E me doeu sair; doeu tanto que mesmo saindo eu fiquei.

Mas esse espaço, essa "casa", que me permitiu por mais de 05 anos contar e recontar meus contos, minha poesia, minhas prosas. Esse canto é meu, esse canto sou eu!!
Foi aqui que soltei meus versos mais doces e minhas dores mais amargas.
Foi aqui que sobrevivi a doenças do corpo e da alma, superei amores findos, comemorei novos amores e recomecei.
E é essa cara  que me me representa.
Foi esse espaço que recebeu selos, que concorreu ao TOP 100.

E, sim, volto a escrever aqui, de Alma Nua, cabeça cheia de textos e coração cheio de amor!

Vem me ler, vem comentar!

Beijos na alma.

17 de fev. de 2015